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Transtornos Mentais Comuns Na Adolescência

Transtornos mentais comuns na adolescência

A adolescência é um período de intensas atividades e transformações na vida mental do indivíduo, o que, por si só, leva a diversas manifestações de comportamento que podem ser interpretadas por leigos como sendo doença.

Durante a puberdade, geralmente, a fase inicial das mudanças no aspecto físico é contrária aos modelos de estética ideais. Essa distonia entre desejo e realidade pode desencadear sérias dificuldades de adaptação, baixa autoestima e falta de aceitação pessoal, resultando em problemas depressivos, anoréticos, obsessivo-compulsivos, entre outros transtornos.

De acordo com a OMS, aproximadamente 20% das crianças e adolescentes sofrem de algum transtorno mental, sendo o suicídio a segunda maior causa de óbito entre 15 e 29 anos. Outras manifestações inerentes à adolescência são as condutas antissociais, delinquência e uso de drogas que podem estar associados às manifestações de agressividade e distúrbio do comportamento na infância.

É preciso observar que muitas das manifestações ditas normais da adolescência podem se confundir com doenças mentais. Por isso, é preciso atenção e conhecimento sobre o que chamamos de “adolescência normal”, que é a fase da vida em que a pessoa se descobre como indivíduo separado dos pais. Isso gera um sentimento de curiosidade e euforia, porém também gera sentimentos de medo e inadequação.

São muitas as possibilidades de transtornos mentais nessa fase da vida, mas todas as situações devem ser muito bem avaliadas antes de se fechar um diagnóstico, principalmente na adolescência. Além das dificuldades pessoais dos adolescentes e de sua intensa modificação corporal e mental, o que por si só já pode gerar comportamentos e sentimentos de inadequação, suas atitudes podem ainda refletir problemáticas familiares. Assim sendo, sem uma devida avaliação do adolescente é, no mínimo imprudente caracterizá-lo como tendo uma doença mental específica.

Dentre os transtornos mais comuns vistos na adolescência, destacam-se três grandes grupos diagnósticos: transtornos emocionais (transtorno de ansiedade, fobias, depressão), transtorno de comportamento disruptivo (transtorno de conduta, hiperatividade, transtorno desafiador de oposição), transtorno global do desenvolvimento (atraso na fala, atraso na leitura, retardo mental, transtornos autísticos).

Conheça alguns dos transtornos mais comuns nos adolescentes

Transtornos do Humor

É o grupo em que se incluem as doenças depressivas, de certo modo comuns na adolescência, acompanhadas das mais diversas manifestações. Podem apresentar humor deprimido (tristeza) acentuado ou irritabilidade, perda de interesse ou prazer em suas atividades, perda ou ganho de peso, insônia ou excesso de sono e abuso de substâncias psicoativas. O tratamento desses transtornos envolve o uso de fármacos (antidepressivos), associados à psicoterapia.

Transtornos Alimentares

Aqui, se incluem a Bulimia (ataques de “comer” compulsivo seguidos, muitas vezes, do ato de vomitar) e Anorexia (diminuição intensa da ingestão de alimentos). A pessoa demonstra um “pavor” de engordar, tomando atitudes exageradas ou não necessárias para emagrecer, mantendo peso muito abaixo do esperado para ela. O tratamento desses transtornos envolve uma equipe multidisciplinar (psiquiatra, nutricionista etc), fármacos antidepressivos e psicoterapia, necessitando em alguns casos de intervenções na família.

>> Saiba mais sobre transtornos alimentares na adolescência

Transtornos do Uso de Substâncias Psicoativas

O uso de drogas, como é conhecido, é um tipo de alteração de comportamento bastante visto na adolescência. A dependência de drogas se manifesta pelo uso da substância associado à necessidade intensa de ter a droga, ausência de prazer nas atividades sem a droga e busca incessante da droga, muitas vezes envolvendo-se em situações ilegais ou de risco para se conseguir a mesma (roubo e tráfico). O tratamento envolve psicoterapia, educação familiar e alguns fármacos, por vezes necessitando internação hospitalar.

>> Leia também: Entrevista com Içami Tiba: “nós educamos os filhos para que eles usem drogas”

Transtornos de Conduta

Caracterizam-se por comportamentos repetitivos de contrariedade a normas e padrões sociais, conduta agressiva e desafiadora. Constitui-se em atitudes graves, sendo mais do que rebeldia adolescente e travessuras infantis normais. Essas pessoas envolvem-se em situações de ilegalidade e violações do direito de outras pessoas. Aparecem roubos, destruição de patrimônio alheio, brigas, crueldade e desobediência intensa como algumas das manifestações. O tratamento envolve basicamente psicoterapia, podendo-se utilizar alguns fármacos no controle da impulsividade desses pacientes. São transtornos de difícil manejo, e muitas vezes necessitam de intervenções familiares e sociais.

Transtornos de Ansiedade

Os transtornos de ansiedade incluem desde a ansiedade de separação e a fobia escolar, condições que ocorrem quase que exclusivamente na infância, até o transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de ansiedade generalizada, estresse pós-traumático, síndrome do pânico e fobias.

Pessoas que vivem com um grau muito intenso de ansiedade podem chegar a ter prejuízos reais em suas vidas. Além de causar importante sofrimento físico e psicológico, as consequências dos sintomas ansiosos costumam ser desmoralizantes e incapacitantes em mais de uma esfera, como por exemplo social, ocupacional, escolar e familiar. Os sintomas podem iniciar tanto na infância quanto na adolescência, e podem ser tanto primários, quanto secundários ou ocorrerem em comorbidade com outros sintomas psiquiátricos. O tratamento envolve basicamente psicoterapia, podendo-se recorrer a alguns fármacos como coadjuvantes.

Transtornos Psicóticos

Nessa fase da vida, muitos transtornos psicóticos, por exemplo a esquizofrenia, iniciam suas manifestações. Esses transtornos são graves, muitas vezes necessitam internação hospitalar e são caracterizados por comportamentos e pensamentos muito distorcidos frente à realidade. O tratamento baseia-se em tratamento medicamentoso com o uso de antipsicóticos e psicoterapia de apoio. São transtornos, em sua maioria, cronificantes, principalmente se não tratados.

Suicídio na Adolescência

Muitos transtornos da adolescência podem se manifestar com comportamento suicida. Tentativas ou ameaças de suicídio podem aparecer. Alguns comportamentos de exposição e risco (dirigir em alta velocidade ou embriagado, envolvimento em brigas ou em atividades de risco, entre outras) também podem ser sinais de comportamento suicida na adolescência, mesmo sem a manifestação explícita dessa intenção. O comportamento impulsivo do adolescente, acarreta um risco maior de tentativas de suicídio mesmo na ausência de sintomas depressivos ou uma clara ideação suicida, o que torna o adolescente muito mais vulnerável a este tipo de comportamento.

>> Saiba mais sobre suicídio na adolescência

De modo geral, a adolescência dificulta o diagnóstico de transtornos mentais, seja pela ocorrência de sintomas atípicos dos transtornos emocionais nessa fase da vida, seja pelos equívocos desses sintomas com a maneira emocional exuberante e típica desta idade.

Pessoas com transtornos mentais muitas vezes se sentem isoladas e deixadas de lado porque outros as acham difíceis de lidar ou de estar com elas. Estando completamente sem apoio no meio familiar, podem buscar o apoio de um grupo de iguais, que pode ser constituído de jovens problemáticos ou francamente delinquentes, o que agrava a situação inicial, podendo levar até ao suicídio, pois elas apresentam sentimentos de culpa por sua simples existência – como por exemplo, sentirem como se fossem um “fardo para seus pais, para outras pessoas”. Como seu filho se sente e como você se sente com relação ao seu filho?

A compreensão, a participação e o apoio da família são fundamentais para todos os tratamentos, favorecendo a adesão ao mesmo, ou seja, o comprometimento do responsável pela criança/adolescente em acompanhá-lo às consultas, atendimentos e mesmo na administração dos medicamentos, conforme orientação terapêutica.

Séries temáticas Suicídio da Adolescência

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