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RESILIÊNCIA: Por Que Algumas Pessoas Renascem Da Adversidade E Outras Sucumbem?

RESILIÊNCIA: por que algumas pessoas renascem da adversidade e outras sucumbem?

Conheça a bela história de Victoria Ruvolo, norte-americana de 44 anos: Victoria estava dirigindo de volta para casa em uma noite de inverno em 2004, quando um grande objeto atingiu seu carro, destruindo o vidro e seu rosto. O objeto, descobriu-se mais tarde, era um peru congelado. O episódio que quebrou quase todos os ossos do rosto de Victoria foi uma brincadeira de mau gosto promovida por jovens.

Victoria Ruvolo, exemplo de resiliênciaO peru foi jogado na estrada por Ryan Cushing, 18 anos, que havia roubado um carro com amigos. Após ser levada às pressas para o hospital, Victoria ficou em coma induzido por duas semanas, quando foi operada. Seu rosto foi reconstruído com três placas de titânio e um olho de vidro. Sua família ficou sabendo que Victoria possivelmente teria danos cerebrais permanentes e dificilmente conseguiria voltar a viver sozinha.

Mas, esta previsão não foi aceita por Ruvolo. Ela já havia sobrevivido a outras tragédias. Dois de seus irmãos faleceram em incidentes separados quando Victoria era ainda uma adolescente. Aos 35 anos, ela sofreu um aborto espontâneo de um filho muito desejado e planejado. E, de alguma forma, Victoria Ruvolo conseguiu superar todas estas perdas e se determinou a superar esta nova tragédia também.

Com uma face destruída e um futuro questionável à sua frente, ela tinha inúmeras razões para se afundar em depressão e raiva. Mas, não. Enquanto passava por incontáveis cirurgias de reconstrução, ela se dizia que as lágrimas não a levariam a lugar algum. Assim, voltou seu foco ao jovem que jogou o peru em seu carro, Ryan Cushing, decidida a descobrir mais sobre a história do rapaz.

Ryan CushingVictoria descobriu que o pai de Ryan acabara de deixar sua mãe por outra mulher. O jovem tinha graves problemas de visão, que o impediam de praticar esportes ou de levar uma vida comum. No julgamento de Ryan, foi Victoria que pediu pela atenuação da pena. “Não entendia como colocá-lo 25 anos na cadeia ajudaria a resolver nossos problemas”, dizia ela, que conseguiu reduzir a condenação do rapaz a seis meses de prisão e cinco anos de liberdade condicional. Juntamente com isso, Victoria, contrariando as previsões médicas, retomou seu trabalho e voltou a morar sozinha em sua casa em apenas oito meses. Atualmente, é palestrante sobre jovens em situação de risco psicossocial e sobre como colaborar na melhoria da vida destas pessoas.

Olhando para trás, Ruvolo diz que sempre lhe foi natural este estado de resiliência, a capacidade de prosseguir frente a desafios. Mas, de onde isso vem e por que são poucas as pessoas que enfrentam a vida da mesma forma? Esta questão ocupa pesquisadores há décadas. Por que algumas pessoas superam traumas com facilidade enquanto outras sucumbem?

As respostas são interessantes. No best-seller The Resiliency Advantage (A vantagem da resiliência), o autor Al Siebert, Ph.D, escreve que pessoas com alta resiliência são flexíveis, adaptam-se a novas circunstâncias com rapidez e cruzam mudanças com sucesso. Mas, mas importante do que isso, estas pessoas sabem que conseguirão superar os problemas e confiam nisso. Elas têm a capacidade de tornar positivo algo que outros veem apenas como negativo, diz Siebert.

O autor também nota como pessoas com resiliência são propensas a observar a vida através dos olhos de outros, assim como Victoria quis e conseguiu se colocar no lugar do jovem Ryan Cushing. Quando temos empatia com os outros, diz Siebert, nos sentimos menos solitários em nossas dores e, assim, temos menos chance de nos afundarmos em nosso sofrimento. Como resultado, temos mais força para a superação.

Psicólogos concordam que algumas pessoas nascem com mais resiliência do que outras, mas, também é fato de que esta capacidade pode (e deve) ser desenvolvida: e uma das chaves é ajustar como percebemos e lidamos com a adversidade.

Confira as cinco principais características de pessoas com grande resiliência e entenda como esta capacidade é crucial tanto para enfrentar o que a vida nos dá quanto para prevenir que determinadas situações aconteçam.

Invista em si mesmo, desenvolva sua inteligência emocional e seja o mestre de seus estados mentais. Livre das amarras que nos impomos, a existência se torna um palco de aventuras e possibilidades de crescimento infinitas.

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1 – Eleve sua positividade

“Em nossas pesquisas, constatamos como o repertório de emoções diárias entre pessoas com e sem resiliência é diferente”, afirma a Ph.D Barbara Fredrickson, autora da obra Positivity.

Pessoas com resiliência são capazes de viver as experiências de forma positiva e negativa, independentemente do que está acontecendo, diz Barbara. Obviamente, elas têm lutos e dores, mas também encontram potenciais de superação libertadores e valorizam os desafios.

Quando pessoas sem resiliência passam por dificuldades, percebem apenas o lado negativo destas situações. Se as coisas estão boas, elas se sentem bem. Se as coisas estão ruins, elas se sentem péssimas.

Barbara deixa claro que não se trata de estado de negação, de fingir que não há nada de errado, pelo contrário: “as pessoas com resiliência percebem o negativo, mas não param nisso. Elas permitem que outras emoções também se manifestem. Assim, enquanto admitem que se sentem tristes por alguma coisa, reconhecem que estão gratas por outras.”

Se este padrão equilibrado de emoção não é natural para você, é possível desenvolvê-lo. Isso significa que você precisará desafiar seus pensamentos reflexivos e suas conversas consigo mesmo. Se você começa a ruminar e acaba encontrando algo negativo, como “nunca serei bem-sucedido em minha carreira”, por exemplo, pergunte-se quais são as evidências para tal conclusão. Se você teve sucessos e fracassos em sua vida, como conclui que nunca mais será bem-sucedido? Trata-se de estimular a razão em um profundo diálogo com a emoção, gerando um equilíbrio entre  história vivida e percepção imediata.

E não se preocupe: nossos mecanismos de sobrevivência estão ajustados para focar mais no negativo do que no positivo, não é algo seu. Por isso, uma das formas para desenvolver resiliência é aprender a observar a vida plenamente, destacando as experiências positivas (que são em maior número do que as negativas) sempre que elas surgirem.

2 – Viva para aprender

Quanto mais você conseguir enxergar que desafios são oportunidades de crescimento, mais resiliência você desenvolverá. A dor vem para todos na vida, mas pessoas com resiliência observam esta dor e se questionam: qual a solução para isso? O que isso pode me ensinar? Ver a dor como oportunidade de solucionar um problema e desenvolver o hábito de cruzar e superar a dor em vez de fugir dela são passos importantes no caminho em direção à resiliência.

Uma estratégia para cultivar uma mente de aprendiz é usar perguntas imparciais onde haveria julgamento. Ao substituir o “quem é culpado por isso?” por “quais são minhas opções para melhorar a situação?”, você promoverá uma sensação de poder e liberdade sobre as circunstâncias, gerando, também, mais aceitação e expansão de pensamento. Com isso, melhoram relações pessoais, criatividade e outras características importantes para a resiliência.

3 – Abra seu coração

Fazer o bem a outras pessoas é uma maneira poderosa de construir resiliência. Atos de bondade estimulam a produção de serotonina no cérebro (o neurotransmissor associado à felicidade e ao bem-estar). Este neurotransmissor é cumulativo e seu efeito é duradouro. Assim, se você está engajado em atos de bondade, em serviços voluntários, em ajudar as pessoas de forma rotineira, seu cérebro acumula este “estoque” de serotonina que será utilizado em momentos de dificuldade.

Aceitar ser ajudado tem efeito similar e pode ser difícil para algumas pessoas. A gratidão é um sentimento crucial na formação da resiliência. Quando alguma dificuldade surgir em sua vida, a gratidão estará tão fortemente presente em você, que a percepção do “tudo errado” não se formará.

Uma estratégia interessante para desenvolver este belo sentimento é o diário dos 30 dias de gratidão, que também pode ser um blogue coletivo sobre o tema, por que não? Seu mural no Facebook também vale. Diariamente, escreva sobre três coisas que merecem seu agradecimento e escreva o máximo que puder sobre elas.

Outra estratégia é focar na beleza da estabilidade que temos e promover gratidão em direção a elas. Um teto sobre a cabeça, um bom alimento, um filho amado, uma carreira que lhe traz felicidade, o que for. Ao enfatizar como há elementos estáveis que lhe trazem felicidade, dificuldades temporárias perdem seu valor. Pratique isso. Encontre os elementos felizes e estáveis de sua vida e agradeça.

4 – Cuide de si mesmo

Saúde e hábitos saudáveis são inescapáveis para alcançar força mental e emocional. Dormir bem, comer bem e manter níveis de estresse baixos lhe tornam mais fortes para enfrentar dificuldades. Quanto mais frágil e suscetível você estiver, mais as situações externas terão força sobre você.

Aprenda a repousar. Apenas dormir não é suficiente. Assim como o corpo precisa descansar de uma longa caminhada, nosso cérebro precisa repousar de tarefas simples, mas que geram grande desgaste mental. Exames de imagem comprovam como lavar uma louça ou assistir ao jornal podem usar grande parte da capacidade cerebral. Ao longo do dia, isso gera estafa e afeta nossa percepção e capacidade.

Saia para observar as árvores, medite, divague sem apego aos pensamentos. Faça carinho em seu animal de estimação, conte nuvens no céu, o que for. Pausas relaxam a mente e impedem que os efeitos do estresse se manifestem – nos tornamos menos reativos e desesperados, recuperamos a capacidade de tomar decisões tranquilas e acertadas.

5 – Invista no bom humor

Rir da adversidade é uma das mais antigas e sábias maneiras de lidar com situações negativas. Rir reduz níveis de tensão. Rir aumenta a sensação de poder sobre a vida, afinal, se você está rindo, é porque não tem medo do que está ocorrendo.

Voltando ao caso de Ruvolo, ela atende adolescentes em um programa social uma vez por mês e conta que termina suas sessões fazendo piada com o peru que atravessou sua janela do carro – e ainda adiciona que poderia ter sido pior: “ele poderia ter atirado um porco!”, brinca Ruvolo.

Agora que Ruvolo superou tudo isso com bom humor e encontrou uma vida ainda mais plena após o incidente, podemos dizer que foi uma situação tragicômica. Muitos leitores devem ter percebido isso no início do texto, mas, convenhamos que ter sido a vítima do peru e rir dele é algo digno de admiração. Todos podemos ser como Victoria Ruvolo e, assim como aprendemos a ser melhores com os desafios dela, podemos aprender com os nossos.

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