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Por Que Julgamos E Discriminamos?

Por que julgamos e discriminamos?

Preconceito ou discriminação? Ambas as formas de separação são péssimas para quem é ofendido e também para a própria amplitude mental do ofensor.

Antes de tudo, entenda melhor:
PRECONCEITO é uma percepção injusta/negativa em relação a uma situação, a um grupo ou uma pessoa que se supõe ser membro de grupo.

DISCRIMINAÇÃO é um comportamento manifesto, geralmente apresentado por uma pessoa preconceituosa, que se exprime através da adoção de padrões de preferência em relação aos membros do próprio grupo e/ou de rejeição em relação aos membros dos grupos externos.

O preconceito generaliza conceitos e deixa de analisar as partes, categorizando uma diversidade de informações como uma única coisa. O preconceito envolve componentes cognitivo, afetivo e comportamental.

(Importante lembrar >> embora seja senso comum que a discriminação acompanha o preconceituoso, nem sempre é assim. Numa situação onde há um padrão mental preconceituoso, pode não haver uma atitude discriminatória, pois existem leis que proíbem que este comportamento aconteça.)

Estudos já esclareceram como nossos juízos de valor intelectual, ou seja, o grau em que acreditamos ou desacreditarmos numa ideia, são fortemente influenciados por tendências dos nossos cérebros, por “padrões” ou “inclinações mentais“.

Nossos cérebros são máquinas especializadas em fazer ligações, reunindo e conectando pessoas, lugares e também ideias. O nosso cérebro torna-se intimamente ligado emocionalmente com as ideias que passamos a acreditar que são verdadeiras. Esta dimensão emocional do nosso julgamento racional explica uma gama de preconceitos que criamos com base em experiências pessoais e, principalmente, com base em nossa cultura.

Estas crenças são básicas no funcionamento cerebral, que cataloga, interliga e padroniza ideias e contextos. E são tão básicas, que a mente desenvolve maneiras de proteger e cristalizar estes conceitos.

Artimanhas cerebrais >> para confirmar algo que já acreditamos ser verdade, prestamos mais atenção e atribuímos maior credibilidade às ideias que sustentam nossas crenças atuais. Ou seja, nós escolhemos, mesmo que inconscientemente, dados e fatos que suportem aquilo que já acreditamos e escolhemos ignorar aquilo que contrarie nossos conceitos.

A mente também gasta uma grande energia para “desconfirmar” dados e fatos que contrariem aquilo que previamente cremos. Neste caso, está o descrédito com que olhamos para determinadas pesquisas científicas, o pouco valor que atribuímos a ações inesperadas de grupos ou pessoas, o “fingir que não vemos” que somos constantemente surpreendidos em nossos padrões mentais – que a realidade é muito mais vasta do que a categorização que nosso cérebro previamente fez.

A confirmação x a desconfirmação representam duas das mais poderosas armas para a solidificação das nossas crenças, dos nossos padrões e preconceitos, mas, simultaneamente, comprometem a nossa capacidade de julgar os méritos das ideias, limitam a amplitude da nossa percepção, reduzem a profundidade de nossa análise e inclusive a precisão das nossas atitudes e escolhas.

Com base em preconceitos, podemos escolher funcionários menos qualificados, investir dinheiro em maus negócios, machucarmos pessoas que não conhecemos ou quem é importante para nós.

Destruir a necessidade do cérebro de interligar e arquivar informações parece tarefa impossível, mas é muito possível ampliar este acervo mental e até mesmo substituí-lo com exercícios de percepção e abertura para novas ideias.

Medite, conviva com pessoas diferentes, “jogue-se” em mundos desconhecidos, trilhe caminhos que ignora. Pequenos passos podem nos levar a uma vida mais justa e ampla – e a um cérebro mais poderoso, ético e emocionalmente inteligente.

Afinal, quem quer passar a vida inteira gastando energia apena para confirmar ou repelir alguns míseros padrões preconcebidos? Vamos abrir nossas janelas, expandir nossa mente e mudar os eixos da nossa história.

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