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O Poder Do Compartilhamento Das Cargas Emocionais

O poder do compartilhamento das cargas emocionais

Dividir a carga emocional com alguém é um conceito psicológico importante. É parte da ideia de que os seres humanos são seres coletivos e que a proximidade e o apoio daqueles que são importantes para nós são ferramentas fundamentais para nos ajudar a navegar pelo mundo e prosperar. O compartilhamento da carga surge quando você passa por uma situação emocionalmente difícil, seja uma ameaça física real ou social, como um constrangimento — a ideia é que estar fisicamente próximo de alguém com quem você tem um relacionamento positivo, ajuda a acalmar e lidar com o estresse já que, de certa forma, a outra pessoa ajuda a carregar o peso.

Para aprender mais sobre o assunto, uma equipe liderada pela canadense Jessica Lougheed, especialista em Psicologia do Desenvolvimento, decidiu observar 66 meninas adolescentes e suas mães (resultados podem ser conferidos neste artigo científico). As participantes foram conectadas a aparelhos que mediam e registravam seus níveis de excitação psicológica. Em seguida, foi pedido que as meninas fizessem um discurso de três minutos para o pesquisador sobre o tema que quisessem, “como se estivessem na frente de seus colegas de classe na escola.” Em metade dos casos, as adolescentes e as mães tocaram as mãos durante a tarefa; na outra metade, elas foram instruídas explicitamente a não fazer isso. As mães foram orientadas a não falar nada durante o discurso.

Os pesquisadores estavam curiosos a respeito do quanto o nível de excitação emocional de uma poderia prever o da outra e até que ponto o toque físico e a proximidade do relacionamento iriam influenciar o quanto as mães conseguiriam ajudar a reduzir o estresse de suas filhas.

Eles divulgaram os resultados:

Como era esperado, a proximidade física foi associada a uma excitação menor das adolescentes, mas, ao contrário das expectativas, a transmissão do “amortecedor de excitação” de mãe para filha e a redução da excitação das adolescentes não variaram apenas pela proximidade física. A maior qualidade dos relacionamentos foi associada a uma excitação menor das adolescentes, maior transmissão do “amortecedor de excitação” de mãe para filha e uma redução maior na excitação das adolescentes com o passar do tempo, como era esperado.

Surpreendentemente, a descoberta de que os efeitos da qualidade do relacionamento foram mais fortes nos casos em que não houve o toque do que nos casos em que as mãos se tocaram, contraria pesquisas prévias que haviam mostrado um efeito relevante da qualidade do relacionamento e da proximidade física nas respostas ao estresse. Em vez disso, as novas descobertas sugerem que a qualidade do relacionamento está mais fortemente relacionada ao compartilhamento materno da carga do estresse das filhas quando ambas não podem manter contato físico uma com a outra.

Em outras palavras, a qualidade do relacionamento foi mais importante para a divisão da carga emocional quando mães e filhas não puderam se tocar. Se elas pudessem se tocar, a qualidade do relacionamento não era tão importante. De acordo com os autores, uma possibilidade é a de que “sentir o conforto da proximidade física fez com que as filhas lembrassem que não estavam sozinhas lidando com aquela experiência estressante,” e que “filhas com uma qualidade de relacionamento relativamente ruim que puderam tocar as mães, podem ter sido avisadas sobre a disponibilidade do apoio pelo toque de suas mãos, algo que elas, de outra maneira, poderiam presumir que não estava disponível.”

Os autores observam que este é o primeiro estudo que analisou os níveis de excitação psicológica tanto das mães quanto das filhas durante este tipo de tarefa e que a amostra foi composta majoritariamente por mães e filhas que afirmaram ter um bom relacionamento. É preciso considerar estas ressalvas antes de extrapolar as descobertas a partir de um único experimento.

Entretanto, o ponto principal se mantém: para seres humanos, o apoio de pessoas queridas e o toque físico são muito importantes, especialmente nos momentos de estresse.

(Matéria escrita por Jesse Singal)

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