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Educação Infantil: Como Lidar Com Mentiras E Fantasias Infantis

Educação infantil: como lidar com mentiras e fantasias infantis

Na ilusão de toda mãe e de todo pai, o próprio filho nunca os decepcionará. Isso inclui imaginar que ele nunca vai mentir. Pois aqui vai uma má notícia: ele vai, sim, se é que ainda não mentiu. E está tudo bem, é mais do que normal e faz parte do desenvolvimento da criança.

Mentir é tão parte do crescimento que, antes mesmo de falar, os bebês já sabem fazê-lo. “Quando o pequeno chora sem motivo aparente, apenas para chamar a atenção e pedir colo, já é uma forma de manipular a verdade para conseguir o que quer”, explica Nívea Fabrício, psicóloga e psicopedagoga do Colégio Graphein, em São Paulo.

Já a mentira no sentido mais clássico da palavra, quando a criança realmente esconde ou mascara um fato, começa a ocorrer por volta dos 3 anos, idade em que os pequenos aprendem que o que fazem pode ter consequências de que eles não gostariam. O que não se deve fazer é deixar a situação passar batida.

Os especialistas concordam que, por mais inofensiva que pareça a mentira, os pais precisam chamar a atenção do filho e pontuar o fato logo que acontecer. Mas há que se tomar cuidado com o tom usado. “Uma das situações que levam à mentira é a rigidez dos pais. A criança pode não dizer a verdade com medo da bronca ou castigo que vai receber”, explica Nívea Fabrício.

O oposto também é verdadeiro. Quando o pequeno nunca é repreendido, ele mente por saber que vai conseguir o que quer. Uma mentira bem sucedida prepara o mentiroso para mentir mais e melhor. Ao atingir o seu objetivo com êxito, o mentiroso ganha a sua recompensa, o que aumenta a probabilidade de mentir novamente.

Ensinar que mentir não é legal é mais simples do que você imagina. O segredo está em conversar, entender as razões da criança e explicar que ela não precisa agir daquele modo. Pergunte o que aconteceu e veja como ela reage.

Por que mentem?

Os motivos são os mais variados. A criança pode mentir por medo de ser castigada ou reprimida pelos pais, pode ser um jeito de conseguir o que quer.  Ou vai ver que seu filho está apenas querendo contar papo, parecer mais legal para entrar em uma turma de amigos. Já entre as crianças pequenas, pode ser porque não sabem como separar uma história que imaginaram da verdade.

Pode ser ainda que ele esteja copiando um comportamento que vê dentro de casa. Nesse caso, é determinante quanto seu filho vai ou não usar a mentira como meio de conseguir o que quer. Quando uma criança ouve uma mentira, ela tende a mentir logo na sequência, repetindo o comportamento.

É por isso que se deve ter muito cuidado em casa, inclusive com as chamadas mentiras do bem. Também é ruim pedir para ele dizer para quem liga que você não está em casa quando isso não é verdade. Ou justificar para a professora que ele não fez um trabalho porque estava doente sendo que o garoto foi à festinha de um primo.

Fazer vista grossa ou repreender?

Seu filho não precisa dizer que adorou um presente que não gostou. Basta ensinar a ele que deve agradecer sempre, pois a pessoa teve a gentileza de lhe dar algo. Mas, se ele for sincero, não repreenda. Ele é a criança e nós os adultos. Nós é que precisamos dar conta de lidar com a frustração de receber uma verdade.

Entre deixar passar ou assumir linha dura contra as inverdades do filho, é melhor não fazer nem uma coisa nem outra. A bronca pesada ou os castigos fazem com que a criança sinta medo e passe a mentir para não sofrer mais com isso. Psicólogos apontam a severidade dos pais e o medo como uma das principais razões que levam o pequeno a entrar em um ciclo de mentiras.

“O que indicamos é que os pais conversem. Por exemplo, se o garoto chega da escola com um brinquedo que não é dele, comece perguntando calmamente de onde veio e de quem é e reforce que ele pode contar, que ninguém vai ficar bravo. Depois explique que, se é do colega, ele pode pedir emprestado, mas terá de devolver. E leve o seu filho para entregar e pedir desculpas. Assim, ele entenderá o que está acontecendo”, ensina Nívea Fabrício.

Sim, você deve chamar a atenção sempre que notar a mentira – e o mais rápido possível. Para a criança, castigos como não ir ao shopping podem não ser tão efetivos, pois ela precisa de algo mais palpável e associado ao que fez. Mas nada de se desesperar achando que seu filho será um mentiroso apenas por esconder de você que tem lição de casa para fazer.

A mentira é uma questão social do desenvolvimento da criança. Ela só se torna um problema que precisa de ajuda psicológica ou médica quando é repetida de maneira crônica e constante. Em geral, só se nota isso depois dos 6 anos. Se esse for o caso do seu filho, o primeiro passo é pedir orientação.

Mentira e fantasia as idades de cada tipo de “inverdade”

Uma das coisas que os pequenos aprendem bem cedo, antes mesmo dos 3 anos, é a inventar histórias fantásticas. É um tremendo exercício de criatividade e você deve deixá-lo acontecer livremente.

Toda mentira tem três elementos essenciais:

1 – Ser consciente;
2 – Ser intencional;
3 – Trazer algum benefício para o mentiroso.

A fantasia não atende ao segundo requisito, pois ela não é intencional. É parte do desenvolvimento e nem ocorre com todas as crianças da mesma forma. Assim, só intervenha se notar que seu filho está entrando demais na fantasia. Se ele disser que foi o super-homem que quebrou o vaso da sala.

Aos 5 anos, a criança já precisa saber bem o que é história inventada e o que não é. Por isso, é nessa idade que aparecem mais as mentiras com foco na consequência – não ser castigada, obter uma coisa, causar boa impressão. Nesta idade, a criança ainda não consegue manter a mentira por muito tempo, já que cai em contradição.

Dos 7 anos em diante, o pequeno já é capaz de segurar histórias não verdadeiras e dar continuidade a elas com argumentos relativamente coerentes. Fique atenta e chame a atenção sempre, explicando por que mentir pode prejudicar outras pessoas e, inclusive, ele mesmo.

Resumindo, como pais devem lidar com a mentira:

– Não reagir agressivamente movido pela raiva;
– Diferenciar a fantasia infantil da mentira;
– Não apresentar suas próprias mentiras adultas como modelo para as crianças;
– Não envolver a criança nas mentiras adultas;
– Não fazer vista grossa. Reprovar adequadamente a mentira;
– Entender que todo ser humano vai tentar persuadir ou manipular os outros em algum momento;
– Entender que a criança não conseguirá manter a mentira por muito tempo;
– Ser equilibrado, fazendo o possível para desestimular a mentira infantil sem ser agressivo.

A criança deve perceber que vale a pena falar a verdade e, principalmente, viver a verdade. Que terá que enfrentar as consequências de suas ações. O mais importante é entender que todos nós mentimos, uns muito mais outros muito menos.

O adulto deve adaptar a sua conversa para que a criança não sinta medo ou raiva e que entenda que existem métodos melhores para conseguir o que deseja ou entender que existem limites para os seus desejos.

(Matéria com informações de Cláudia e IBRALC)

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