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É Na Primeira Infância Que Se Educa Para A Vida

É na primeira infância que se educa para a vida

Já é provado pela ciência que a qualidade de vida de um indivíduo está diretamente ligada à qualidade dos laços afetivos e do convívio que é capaz de construir ao longo da vida. Podemos ter o melhor cargo, a melhor casa, a melhor conta bancária, mas, se nossos relacionamentos estiverem ruins, nada fará sentido. Aqui, entra o papel fundamental da Inteligência Emocional. A vida em família é a primeira escola de Inteligência Emocional – não apenas por causa do que os pais dizem ou fazem, mas também por causa dos modelos que eles oferecem para lidar com as próprias emoções.

Os três modelos mais recorrentes de mau gerenciamento de emoções que encontramos nos pais são os seguintes:
– ignorar os sentimentos das crianças;
– relevar demais, menosprezando a importância do que a criança sente
– ser prepotente, mostrando falta de respeito com relação ao que a criança sente

Os estilos parentais que desenvolvem Inteligência Emocional nos filhos são aqueles que reconhecem os sentimentos das crianças como oportunidades de serem guias ou mentores emocionais: eles levam a sério o que uma criança sente, depois tentam compreender o porquê de ela sentir aquilo e ajudam a criança a encontrar uma maneira de lidar com a confusão dos sentimentos.

Sabemos que pais precisam ensinar crianças a comer, a andar, até a dormir, mas parece que esquecemos que também é preciso ensiná-las a sentir, afinal, é a primeira vez que elas são tomadas por uma torrente de diferentes e conflitantes emoções. Quem pode auxiliá-las a compreender o que está ocorrendo e, mais ainda, a encontrar soluções para os problemas? Os pais. Se esta tarefa for ignorada, estaremos criando indivíduos incapazes de lidar com a própria vida.

Lições sobre Inteligência Emocional começam desde o nascimento, com pais que se conectam aos sentimentos dos filhos. Esta conexão é a essência do laço parental, e este modelo de educação é crucial para a formação dos circuitos neuronais necessários para o desenvolvimento da Inteligência Emocional.

Crianças que crescem neste modelo parental apresentam níveis menores de hormônios do estresse e outros indicadores de ansiedade e perturbação emocional, um padrão que não apenas auxilia na qualidade relacional, mas como também na saúde física das crianças e futuros jovens.

O aprendizado emocional acontece, em grande parte, nos primeiros anos de vida, quando grandes cargas de estresse podem prejudicar os centros de aprendizagem do cérebro. É com base nas primeiras experiências que a criança aprende sobre se sentir segura, sobre confiar, sobre autoestima. Estas lições terão impactos para o resto da vida e estarão ligadas a como ela se sente, se relaciona e se posiciona no mundo.

Durante os três ou quatro primeiros anos de vida, o cérebro infantil cresce para atingir dois terços do tamanho do cérebro adulto e é nesta fase que ele desenvolve sua complexidade com a maior velocidade. Mesmo que as oportunidades mais críticas e importantes para o ensino da Inteligência Emocional ocorram durante os primeiros anos de vida, as oportunidades de aprendizado prosseguem durante a vida escolar.

As habilidades que as crianças adquirem ao longo da vida, e que estão alicerçadas nestes primeiros anos, criam a fundação para todo o aprendizado.  Poucos pais discordariam que o sucesso de uma criança na escola depende menos do Q.I e mais das medidas emocionais e sociais, como ser capaz de confiar em si mesma, de despertar interesse pelas coisas e pessoas, saber reconhecer os comportamentos esperados dela e, mais ainda, saber frear impulsos destrutivos, conseguir esperar, respeitar orientações de pais e professores, procurar o professor para pedir ajuda, além de saber expressar necessidades e emoções.

Quando mães e pais se conectam com os sentimentos de seus filhos e são capazes de educá-los emocionalmente, as crianças se tornam mais resistentes e resilientes e, ainda que continuem ficando tristes e se irritando, ou se assustem em circunstâncias difíceis, são mais capazes de se acalmar, de se recuperar da angústia, e continuar com as atividades produtivas. Em outras palavras, são mais inteligentes emocionalmente.