skip to Main Content
Como Surge O Ciúme? Augusto Cury Explica O Desenvolvimento Do “grande Vilão Das Relações”

Como surge o ciúme? Augusto Cury explica o desenvolvimento do “grande vilão das relações”

Em sua terceira obra sobre ansiedade, o escritor, psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury se aprofunda naquilo que considera o vilão dos relacionamentos atuais. O resultado desta pesquisa e reflexão está em “Ansiedade 3 – Ciúme”.

Durante muito tempo, acreditou-se que o ciúme era sinal de amor e tanto a pessoa acometida por esse sentimento como a que era alvo dele sofriam em demasia. Se uma relação não tivesse boas doses de ciúme era porque um dos parceiros não estava realmente envolvido. Mas a nossa sociedade mudou, e, com o tempo, percebemos que o ciúme não é o “tempero das relações”, mas sim um sinal de que algo está faltando dentro de nós, algo que nos complete e nos permita ser feliz sem a presença de outra pessoa.

No livro, o criador das escolas Menthes destaca a importância da boa gestão da emoção e a necessidade de amar com inteligência.

Cury afirma que ciúmes são como “algemas invisíveis”: aprisionam tanto o ser amado como aquele que supostamente ama. “Tente controlar quem você ama, e os dois adoecerão”, adverte.

Mas, ninguém nasce ciumento. Esta prisão nasce de eventos traumáticos que, sem inteligência emocional, são cultivados às sombras do esquecimento e da negação. É o que mostra o próprio Augusto Cury, em seu texto abaixo:

>> Promova workshops para relacionamentos saudáveis. Promova bem-estar entre casais e famílias com a psicopedagoga Dolores Bordignon

M.S. é uma mulher de 30 anos, afetiva, perspicaz, sociável, culta, com bom nível de autocrítica. Tinha uma mente analítica e observadora. Namorava havia sete anos, sonhava em se casar, mas seu sonho foi atropelado por uma traição, seguida de abandono. O impacto foi enorme, inaceitável para ela.

Terapia de Casal Online

Na terapia de casal e de família online busca-se identificar onde as interações estão problemáticas e procurar modos de melhorar o relacionamento.

A terapeuta Dolores Bordignon atende em Porto Alegre e pela internet, especialmente pelo Skype e Whatsapp. Tem grande experiência mais de 25 anos de experiência com famílias e casais.


Arquivou uma janela killer poderosa, que furtava sua tranquilidade, no centro de sua memória, na MUC. Como seu Eu não atuou como autor de sua história, não confrontou nem reciclou essa janela solitária doentia. Ela leu-a continuamente, formando uma plataforma killer que começou a contaminar toda a matriz central de sua personalidade.

Pouco a pouco, deixou de ser uma mente analítica e se fechou em torno de si mesma; desenvolveu uma mente “casulo”. E, sem que percebesse, começou a ter pelo menos momentaneamente flashes de uma mente coitadista. Colocou-se como vítima de um crápula e não como protagonista de seu script.

Seu Eu tentou agir, mas usou técnicas ineficientes, aliás, que sempre foram usadas por mulheres e homens ao longo da história: tentar esquecer, distrair-se, rejeitar, negar ou, o que é pior, odiar seu ex-parceiro. Não sabia que o ódio destrói não o outro, mas seu hospedeiro.

Foi arquivando raiva, autopunição, autodestruição, sentimento de inferioridade. E qual a consequência? Apesar de ter tido uma infância feliz, adoeceu.

As janelas killer solitárias não são suficientes para adoecer uma pessoa, ainda mais analítica, mas uma plataforma é capaz de encarcerar a emoção. Cuidado! A teoria das janelas da memória aponta que em qualquer época podemos adoecer se nosso Eu for relapso. Pessoas saudáveis podem se destruir. M.S. comprometeu sua autocrítica e sua autoconfiança. Passou a diminuir-se e deprimir-se.

A MAIOR VINGANÇA É SER FELIZ

O Eu de M.S. deveria ter virado a mesa em sua mente, ter protegido sua emoção e filtrado os estímulos estressantes. Deveria ter mandado seu namorado “passear”. Deveria ter gritado muitas vezes para si mesma: “Quem perdeu foi ele e não eu”.

Como uma querida amiga minha, que é brilhante jornalista, gosta de dizer: “A maior vingança contra quem nos machuca é ser feliz”. E sob o ângulo da teoria do Eu como autor de nossa história está corretíssimo esse pensamento. O Eu de M.S. deveria ter se posicionado diariamente: “Agora é que vou ser feliz, me soltar, investir em meus projetos de vida”. Deveria sair de seu “casulo” e procurar as fontes de alegria e autorrealização. É difícil? Sim, eu sei! Mas é possível, se não formos conformistas. E, além disso, não há outra alternativa. Jamais uma mulher deveria perder sua liberdade por causa de um homem. Sem liberdade, a mente humana não respira, o amor se asfixia, a autoestima falece.

Quanto mais ela usava as técnicas ineficientes, mais seu “ex” era arquivado dentro dela como um monstro. Tornou-se inesquecível, “almoçava” com ela e destruía seu apetite, “dormia” com ela e estragava seu sono. Se um “ofensor” se torna inesquecível, tenha certeza, ele vira uma doença para a pessoa ofendida. Esse é um mecanismo psíquico universal que pode adoecer seres humanos do Ocidente ao Oriente. Quem bate esquece, no entanto, quem apanha dificilmente esquece. Alguém que te machucou se tornou inesquecível para você?

Os meses se passaram e, aparentemente sua angústia quanto à traição ficou em segundo plano. As janelas killer foram deslocadas da área central. MUC, para a periferia, a ME. Mas não se apagaram. Um ano depois, ela volta a namorar. Com o novo namoro deveria viver dias felizes, mas os fantasmas alojados em seu inconsciente voltaram a aparecer.

Seu atual namorado era fiel, amável, gentil e se preocupava com ela, muito mais do que o anterior. Mesmo assim, ela projetava nele os traumas que vivenciou. Vivia apreensiva com a possibilidade de uma nova traição. A plataforma de janelas killer gerou a ditadura do ciúme e esta, por sua vez, levou à paranoia do controle.

O ciúme é um fenômeno interno, e o controle obsessivo é sua manifestação externa. Não acreditava em seu parceiro porque não acreditava em si.