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As Regras De Ouro Dos Casais Saudáveis: Comentário De Dolores Bordignon

As Regras de Ouro dos Casais Saudáveis: comentário de Dolores Bordignon

O romance, para ser saudável e inteligente, precisa ser alicerçado em regras de ouro: compreender a complexidade da mente humana; saber que ninguém muda ninguém, superar o cárcere da rotina; ser carismático, ser empático etc.

Na obra As Regras de Ouro dos Casais Saudáveis, Augusto Cury propõe uma série de estratégias para promover relações saudáveis, baseadas na cumplicidade, no companheirismo, no apoio e no crescimento mútuo.

No breve excerto abaixo, o psiquiatra nos traz um dos grandes conflitos das estruturas familiares contemporâneas: a mulher que abdica de seus planos para cuidar da casa e dos filhos X a mulher que busca equilibrar seu tempo, compartilhando, com o marido, a árdua tarefa do orçamento familiar.

Qual das duas está correta? Ambas. O único caminho errado é a culpa, que impossibilita extrair o máximo do tempo que dispomos. Confira abaixo o que Augusto Cury tem  a nos dizer e não deixe de ler o comentário da psicopedagoga Dolores Bordignon, que revela sua própria história de vida, ilustrando o grande segredo da felicidade pessoal: estar bem com as próprias escolhas, mesmo sabendo que não há escolha perfeita.

Augusto Cury:

“É bom trabalhar e ter independência financeira. Mas milhões de mulheres optaram por não trabalhar fora de casa para cuidar de seus filhos. São elas inferiores? De modo algum. Mas não poucas se sentem diminuídas quando perguntadas sobre o que fazem. Sentem-se desprestigiadas em relação ao parceiro ou parceira que trabalha fora.

Entretanto, elas deveriam dizer, sob os aplausos do parceiro ou parceira, que administram a mais difícil e complexa empresa, a família. E que sua meta é a mais notável: formar filhos pensadores, formar sucessores capazes de construir um legado e não herdeiros imediatistas que exploram os pais e vivem à sombra deles.

Mas, e as mulheres que trabalham fora, elas deveriam se sentir culpadas por ter pouco tempo para educar seus filhos? Jamais. O sentimento de culpa tornar-se-á um vilão que tirará o oxigênio da criatividade das mães e dos pais superocupados, impedindo-os de plantar janelas saudáveis, ou light, para promover as funções mais notáveis da inteligência, como pensar antes de reagir, exercer a resiliência e colocar-se no lugar dos outros.

O tempo é um fator importante. Deveríamos gerenciá-lo e expandi-lo, mas um dos maiores erros dos casais superatarefados é desperdiçar, se lamentando, o pouco tempo de que dispõem. Faça do pouco tempo momentos solenes, marcantes, inesquecíveis. Desligue a TV, brinque mais, role no tapete, troque experiências e pergunte muito. Seja um garimpeiro que explora um tesouro nos solos de quem ama. Para irrigar relações saudáveis é preferível ter pouco tempo gasto com profundidade do que muito tempo gasto com banalidades.”

Comentário de Dolores Bordignon:

“Quando casei, eu tinha apenas 17 anos e abdiquei de continuar meus estudos e seguir uma carreira, porque entendi que precisava, antes de tudo, aprender a cuidar do que eu estava construindo. Isto era 1973. Lá estava eu iniciando minha vida de casada, aprendendo a cuidar de casa, cozinhar, lavar, passar, receber amigos, conjugar uma vida a dois e, logo em seguida, com 19 anos, iniciei minha jornada de mãe. Então, eu tinha uma família minha. Muitas eram as dúvidas, as perguntas e os medos, mas também as vontades nutridas de valores da minha família de origem, de afeto e fé, na busca do ‘acerto’.

Como bem fala Augusto Cury na mensagem de hoje, não foram poucos os momentos em que me senti menos em relação às mulheres que trabalhavam fora, que tinham uma vida cheia de “novidades pra contar”. Era isto que eu imaginava que elas tinham de muito diferente de mim: muitas histórias pra contar ao final do dia. Eu tinha as histórias dos meus filhos e do marido para ouvir, acolher, aplaudir e, sem dúvida, muitas vezes, participar com minhas ideias que, confesso, nem sempre eram bem recebidas! Por duas vezes, me questionei e me organizei  para voltar aos meus estudos e sair pra trabalhar, mas aconteciam certos fatos que meu eu dizia: ainda não é a hora!

Assim, fiquei por 17 anos em casa e, hoje, ao olhar para trás, em especial neste final de semana, quando reli cartões deste tempo, disse pra mim mesma: foi a melhor decisão que eu tomei em minha vida! O que está registrado naqueles cartões, escritos com letras que iam  ‘desenhando’ as mudanças de fases, de ciclos, de estágios de vida de cada um dos meus dois filhos. Li e me emocionei com a espontaneidade, a beleza daquelas duas crianças que estavam, juntas, tentando, acertando, errando e dando significado às suas histórias.”