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80% Dos Transtornos Comportamentais Infantis Têm Origem No Estresse

80% dos transtornos comportamentais infantis têm origem no estresse

Não é segredo que o estresse se tornou o mal do século XXI. O estresse, que é uma reação do organismo frente a situações muito difíceis ou muito excitantes, tem ganhado status de problema de saúde pública. A rotina, cada vez mais atribulada, nos expõe a situações que exigem o máximo de esforços, tanto físicos quanto emocionais.

E, se para nós, adultos, é tão difícil se adaptar às inúmeras pressões que surgem no dia a dia, você consegue imaginar como deve ser complicado para uma criança lidar com esse tipo de problema?

Dos poucos estudos brasileiros sobre estresse infantil, se destaca um levantamento realizado pela pesquisadora Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). A pesquisa, feita com 220 crianças entre 7 e 12 anos nas cidades de Porto Alegre e São Paulo, revelou que oito a cada dez casos em que os pais buscam ajuda profissional para seus filhos por causa de alterações de comportamento têm sua origem no estresse.

Para ajudar pais e profissionais de saúde a identificar quando há risco, cientistas de Harvard propuseram uma divisão.

Conheça os tipos de estresse infantil

o estresse positivo, aquele em que há pouca elevação dos hormônios e por pouco tempo;

o estresse tolerável, caracterizado pela reação temporária e que pode ser contornada quando a criança recebe ajuda;

o estresse tóxico, que deve ser combatido, ligado à estimulação prolongada do organismo, sem que a criança tenha alguém que a ajude a lidar com a situação.

Muitas vezes, a família não sabe identificar os sinais de que seus filhos estão estressados e até confunde o comportamento negativo das crianças com birra ou malcriação. E isso pode acarretar em grandes consequências a longo prazo.

Quer evitar que seu filho seja mais uma vítima do estresse infantil? Veja, a seguir, quais são os principais fatores que causam o estresse nas crianças e qual a melhor forma de conduzir essa questão!

O estresse infantil pode se manifestar por meio de sintomas físicos ou psicológicos que não possuem um motivo aparente. Os mais comuns são:

Sintomas físicos do estresse infantil

  • Dor de barriga e diarreia;
  • Dor de cabeça;
  • Náuseas;
  • Mãos frias e suadas;
  • Falta ou excesso de apetite;
  • Enureses noturnas (fazer xixi na cama);
  • Gagueira;
  • Ranger de dentes;
  • Tique nervoso;
  • Tensão muscular;
  • Hiperatividade.

Sintomas psicológicos do estresse infantil

  • Insônia;
  • Agressividade;
  • Impaciência;
  • Desobediência;
  • Insegurança;
  • Preocupação;
  • Ansiedade;
  • Dificuldade de socializar;
  • Hipersensibilidade;
  • Pesadelos;
  • Medo;
  • Choro excessivo.

É importante lembrar que vários sintomas ocorrem conjuntamente. Quando acontecem de forma isolada, não podem ser interpretados como estresse de forma precisa.

É fundamental levar em consideração que cada criança possui uma maneira própria de externalizar o estresse, a qual depende da sua capacidade de elaboração, idade e comportamento da família perante a questão.

Principais causas do estresse em crianças

Mas o que tem tirado as crianças do eixo tão prematuramente? No estudo realizado pelo Isma-BR, em primeiro lugar aparecem a crítica e a desaprovação dos pais, seguidas pelo excesso de atividades, o bullying e os conflitos familiares.

É normal que uma família queira o melhor para o seu filho, como tirar notas excelentes na escola, ser bom nos esportes, fazer atividades visando o futuro, como aulas de inglês, dentre outros. É claro que estimular uma criança a se dedicar a algo é bastante positivo, entretanto, é essencial ter cuidado para não sobrecarregá-la.

Exagerar no número de responsabilidades delegadas à criança, fazer cobranças e críticas excessivas levam ao descontrole emocional e estresse. Além disso, modificações no contexto familiar e problemas dentro de casa também podem afetá-la.

Observe alguns exemplos:

  • Brigas;
  • Divórcio;
  • Morte de um membro da família;
  • Violência física;
  • Superproteção;
  • Desrespeito ao ritmo da criança;
  • Bullying;
  • Mudança de escola ou cidade.

Consequências do estresse infantil

O estresse é um fator de risco importante para a grande maioria das doenças mentais. Seu efeito sobre o organismo é bem maior em sistemas menos maduros, como o das crianças. Prova disso foram os dados apresentados por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. A exposição à violência, ainda que moderada, foi capaz de gerar modificações no comportamento em 90% das 160 crianças entre 4 e 6 anos analisadas no estudo. As principais alterações eram pesadelos, voltar a fazer xixi na cama e a chupar o dedo. Em um terço dos pequenos voluntários, a consequência foi mais grave: ocorreram crises de asma, alergias e déficit de atenção ou hiperatividade. E 20% deles desenvolveram transtorno do estresse pós-traumático.

Não tratar o estresse infantil gera uma série de problemas. O sistema imunológico da criança pode ser afetado, enfraquecendo o organismo e reduzindo sua resistência. Assim, ela estará vulnerável a doenças contagiosas e ao desenvolvimento de infecções, alergias, úlceras, problemas dermatológicos, diabetes, asma, bronquite e obesidade.

Ainda, uma criança que não aprende a lidar com esse tipo de tensão pode se tornar um adulto vulnerável ao estresse.

Maneiras de evitar esse problema

O primeiro passo é refletir sobre o estilo de vida da criança e fazer mudanças na sua rotina, a fim de identificar e diminuir os fatores que desencadeiam o estresse e delegar apenas tarefas que sejam compatíveis com seu o ritmo de aprendizagem e faixa etária.

Um ponto que merece atenção é lembrar-se de que seu filho precisa ter tempo para estudar, brincar e descansar. Ademais, é fundamental que a família se mantenha presente no dia a dia da criança e valorize os momentos que passam juntos.

Também, é necessário aprender a criticar de forma construtiva e focada no comportamento, sem depreciar a criança, explicando o problema e sugerindo soluções

No entanto, se o motivo do estresse for de difícil solução, como morte na família, a melhor resposta pode ser ajudar a criança a se fortalecer perante esse tipo de situação, buscando, por exemplo, o auxílio de psicólogos.

A família precisa estar sempre atenta ao comportamento dos filhos. Aprender a ouvir o que eles têm a dizer é o melhor caminho para descobrir o problema e evitar que sofram com o estresse infantil.

(Com informações de EI e IstoÉ)

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