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Tradução Emocional: Você Consegue Ouvir Além Do Que Dizem As Palavras?

Tradução emocional: você consegue ouvir além do que dizem as palavras?

Ouvir nosso parceiro é uma habilidade vital em relacionamentos. Mas, há um talento associado a esta habilidade, que também precisamos desenvolver: a tradução emocional.

Às vezes, achamos que entendemos o que nosso namorado, esposa etc está dizendo e, mesmo assim, acabamos envolvidos em grandes conflitos. Ficamos confusos, porque fomos atentos e atenciosos, mas, de qualquer forma, o parceiro acabou frustrado.

Isso se dá porque, muitas vezes, precisamos ultrapassar o que está sendo dito e compreender a intenção escondida, que é mais complexa e subjacente – e que pode significar uma coisa totalmente diferente do que foi falado.

Temos que melhorar nossas traduções emocionais e como entendemos a diferença entre o que as pessoas dizem e o que querem dizer.

Aqui, apresentamos alguns exemplos típicos dessa diferença.

“Está tudo bem. Não tem nada de errado.”

Tradução: “Não estou nada bem. Estou com pânico, cansada, confusa e furiosa. Embora eu seja adulta, você me faz sentir desamparada.”

E por que não dizemos o que sentimos, então? Dois motivos muito simples:

1 – Não sabemos exatamente como nos sentimos. Levamos tempo para conscientizar as emoções e, mais ainda, para externá-las de maneira objetiva (principalmente, para outra pessoa).

2 – Pode ser bastante humilhante admitir a outro ser humano que ele tem o poder de nos enervar, magoar e de derrubar. Lembremos que amar alguém é querer que o outro nos dê força em aspectos essenciais, mas também é permitir ser enfraquecido e vulnerável.

Estas falas, que expressam o oposto do que sentimos, são uma tentativa de reivindicarmos a solidez e invulnerabilidade que nosso amor, na verdade, nos tirou.

Quando dizemos “Seu imbecil, eu te odeio!”, é claro que não é assim tão simples ou rígido. Para começar, diremos algo surpreendente, mas honesto aqui: não devemos falar tais coisas a pessoas se não temos certeza de que elas realmente nos amam bastante. Temos que estar bastante confortáveis e seguros com alguém, antes de ousarmos dizer que “queremos que morram”.

Em segundo lugar, esse tipo de raiva não é sinal de um simples desdém, mas de uma esperança imensa. Não acredita? Pense conosco: não falamos assim com nossos colegas ou amigos. Mas, isso não se dá somente porque somos educados, mas também porque não esperamos muito deles e, assim, não conseguimos sentir tanta raiva quando nos desapontam.

Talvez tenhamos expectativas muito elevadas; talvez, criamos uma situação em que recusamos aceitar conflitos difíceis e suas emoções ambivalentes e complexas.

Muito possivelmente, com uma boa dose de racionalidade e de sangue frio, poderíamos conseguir lidar bem o suficiente com as partes mais obscuras de nossos parceiros.

Mas, isso é um futuro ideal. No futuro ideal, teremos, em nossos ouvidos, aparelhinhos que traduzirão as palavras de quem amamos. Idealmente, eles também estariam usando um aparelhinho, já que o desafio da tradução é sempre, claro, mútuo.

Até lá, entretanto, devemos sempre fazer um esforço para decodificar as mensagens que recebemos, aceitando que é uma parte legítima do esforço amoroso interpretar, em vez de somente ouvir, o que nos diz a outra pessoa.

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(Assista a vídeos sobre o tema em The School of Life)

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