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Ser Responsável Para Criar Filhos Responsáveis

Ser responsável para criar filhos responsáveis

Educação ou escolarização? O filósofo Mario Sergio Cortella, doutor em Educação, aponta a diferença entre ambas: educação é a formação de uma pessoa, escolarização é apenas um pedaço da educação. Cortella explica que os pais contemporâneos estão abdicando da autoridade em nome de um suposto carinho – e que isso está formando crianças incapazes de executarem as tarefas que lhes cabem hoje e que lhes caberão no futuro, enquanto adultos. Segundo Cortella, é hora dos pais retomarem a posição firme e educadora para que as crianças aprendam a viver no mundo de forma autônoma e responsável. Confira abaixo a fala do filósofo sobre o tema:

>> Leia Filhos e limites: Mario Sergio Cortella defende a retomada das famílias na educação das crianças

Muita gente confunde educação com escolarização. Educação é a formação de uma pessoa. Escolarização é um pedaço da educação. O que nós professores e professoras fazemos é escolarização.

Um dia, num debate, um pai me perguntou: “Professor, o que a família pode fazer para ajudar a escola na educação dos nossos filhos?” Eu disse: “Olha pai, há uma inversão na tua questão, não é a família que ajuda a escola na formação dos teus filhos é o contrário, é a escola que ajuda a tua família na educação dos teus filhos fazendo escolarização. Você tem uma ou duas crianças e os têm durante 24h por dia, espero que até o fim da tua vida. Nós temos 30, 40 numa sala de aula durante 4h. Se você supõe que contendo só duas, você tem dificuldade em fazer, imagine se nós, com um conjunto de crianças, conseguiríamos substituir o que é tarefa da família.”

Por isso, assim como hoje tem o personal trainer, assim como tem o personal stylist, alguns acham que tem personal father/mother, isto é, gente que substitui o pai e a mãe nisso.  Não! A tarefa de educação dos filhos é da família em primeiro lugar e, do poder público de forma secundária. A escola faz escolarização, por isso, se a família não cumpre aquilo que ela precisa cumprir, a escola não dará conta. Claro que também não adianta a escola dizer “O que eu posso fazer?” É preciso fazer uma parceria com as famílias de modo a também formar os pais, porque uma parcela dos pais está perdida, ela não sabe que tem e vive numa situação de submissão com os filhos.

>> Leia Içami Tiba: “Nós educamos os filhos para que eles usem drogas”

Um exemplo: Quando eu era menino, chegava num restaurante com meu pai e minha mãe e meu pai dizia assim: “Mario, sente-se.” Essa era a frase e eu sentava. Qual é a frase de hoje do pai e da mãe? “Filhinho, onde você quer sentar?” “O que você quer comer?” O que você quer assistir?”

Isto é, você oferece para uma criança de oito, nove anos, em nome de um carinho, algo que a deseduca. É obvio que eu sou avesso, contrário a espancamento, a bater, mas não sou contrário de maneira alguma a uma educação que seja firme.

Eu nunca, meus filhos, bati neles, mas todas as vezes eu fui firme. Ser firme não é espancar, é a fala, é autoridade, é colocar a mão no ombro com delicadeza mas, com firmeza para a criança sentir a pressão, sem machucar, mas sentir a pressão.

Pode parecer pouco, mas há uma diferença significativa de formação de um caráter de uma criança de dez anos de idade, por exemplo, de eu dizer a ela: “Sente-se.” ou “Onde você quer sentar?”

Só o modo de eu dizer a segunda frase, que parece carinhosa, ela não é carinhosa, ela é acovardada. “Onde você quer sentar?” “O que você quer comer?” “Você não quer estudar um pouquinho?”

Resultado: sabe qual é a consequência? Parte dessas crianças é formada em famílias que não têm autoridade sobre elas. A criança dorme na hora que quer, come o que ela deseja, ela sai ou vê o programa que ela quiser.

Onde esta criança vai encontrar um obstáculo para essa falta de limite? Na escola.

Quando ela entra na sala de aula, nós falamos assim: “Cadê o material?” “Fez a tarefa?” “Guarde esse telefone.” “Joga fora esse chiclete.” Sabe o que eles fazem? Partem para cima de nós.

Nunca tivemos tantos casos de violência de aluno contra professor quanto que nós estamos tendo atualmente. Por quê?

Porque o professor é o primeiro adulto no dia a dia de algumas crianças que decide exercer sobre elas autoridade.

Autoridade não é autoritarismo. Autoridade é a responsabilidade ao comandar, esta autoridade deve ser exercida. Tem pai que reclama que o professor deu falta porque o filho faltou ou porque o filho leva lição para casa. O problema disso é que nós estamos formando uma geração mais fraca, que não pega no serviço. Não podemos criar nossos filhos em uma redoma. Isso vale em relação à conduta.

Temos que ensinar nossos filhos a viver neste mundo. O mundo que nós vamos deixar para nossos filhos depende muito dos filhos que nós vamos deixar para este mundo. E que filhos nós vamos deixar?

>> Leia Augusto Cury: A importância das emoções na educação dos filhos

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