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Por Que Amar Nunca é Tão Lindo Quanto Deveria Ser?

Por que amar nunca é tão lindo quanto deveria ser?

O amor deveria ser adorável. Ao menos, é isso que aprendemos. Amar é uma bela e prazerosa experiência. Mas, muitas vezes, sem que qualquer coisa importante tenha dado errado, não parece ser muito dessa forma no dia-a-dia.

O parceiro não está tão focado em nós como esperávamos. Há muitas vezes em que ele não nos entende corretamente. Outras vezes, ele está ocupado ou preocupado com outra coisa. Ele pode ser um pouco insensível ou intolerante. Ele não está muito interessado nos detalhes do nosso dia. Ele liga para os amigos em vez de falar com a gente.

Assim, nos desencantamos e nos sentimos deixados para trás. Esta tristeza tem uma fonte paradoxal. Estamos chateados agora porque, em algum momento no passado, nós tivemos muita sorte. Estamos tristes porque fomos sortudos.

Para explicar este aparente paradoxo, precisamos olhar para as origens íntimas do amor. Nossa ideia de um relacionamento bom e amoroso nunca vem do que vemos na idade adulta.

Ela surge de uma fonte mais poderosa e estranha. A ideia de um casal feliz se faz na imagem fundamental do conforto, profunda segurança, a comunicação sem palavras, e das nossas necessidades serem facilmente compreendidas, que vem desde a infância.

Nos melhores momentos da infância, se as coisas foram razoavelmente bem, um pai amoroso nos ofereceu uma satisfação extraordinária. Ele sabia quando estávamos com fome ou cansados, mesmo que não pudéssemos explicar. Não precisávamos nos esforçar. Nossos pais nos fizeram sentir completamente seguros.

Fomos tratados pacificamente. Fomos entretidos e saciados e, mesmo que não lembremos de cada detalhe, a experiência de ser amado criou raízes profundas na nossa mente do modelo ideal de amor.

Como adultos, sem perceber, continuamos a ser encantados com esta noção de ser amado. Projetamos a melhor experiência dos nossos primeiros anos em nossos relacionamentos atuais, querendo muito encontrá-la como resultado. Esta comparação é profundamente corrosiva e injusta.

O amor que recebemos dos pais não pode ser um modelo viável para a nossa experiência adulta do amor. A razão é fundamental: éramos bebês antes… E somos adultos agora.

Nossas necessidades eram muito mais simples: precisávamos ser lavados e entretidos, colocados na cama. Mas, não precisávamos de alguém se infiltrando de forma inteligente nos problemas da nossa mente.

Nós não precisávamos de um cuidador para entender porque é necessário ver nossa tia no domingo. Ou por que é tão importante para nós que as cortinas combinem com as capas de sofá. Ou que o pão deve ser cortado com uma faca de pão adequada.

Os pais sabiam exatamente o que era necessário em relação a certos requisitos físicos e emocionais.

O nosso parceiro, por outro lado, está no caminho da escuridão, envolto de necessidades que são imensamente sutis, longe de serem óbvias, e muito complicadas de se realizar.

Em segundo lugar, nada disso era recíproco quando criança. Os pais eram extremamente focados em cuidar de nós, mas eles sabiam e aceitavam plenamente que nós não nos envolveríamos com as suas necessidades. Nem por um segundo eles imaginaram que poderiam levar seus problemas até nós ou esperar que fôssemos cuidar deles.

Nossa responsabilidade era alegremente simples: tudo que tínhamos que fazer era existir.

Fomos amados… Mas, não tínhamos que amar.

Além disso, nossos pais eram provavelmente gentis o bastante para nos proteger do fardo de cuidar de nós que foi imposta sobre eles.

Eles mantinham o sorriso no rosto até se retirarem para seu próprio quarto, onde o verdadeiro peso dos seus esforços poderiam ser testemunhados. Mas, até então, nós estávamos dormindo.

Eles tiveram a honra de não nos mostrar o peso de cuidar de nós, o que foi imensamente gentil, mas nos fizeram um desserviço: inconscientemente, pode ter criado uma expectativa sobre ser amado, mas algo que nunca foi verdade completamente.

Mais tarde na vida, poderíamos acabar ao lado de parceiros que estão mal-humorados, cansados demais para falar no final do dia, que não se maravilham com todas as nossas proezas. Por isso, podemos sentir, com alguma amargura, que não somos amados, já que nossos pais não eram assim.

A ironia, que tem o seu lado libertador, é que sim, nossos pais eram exatamente assim.  Eles estavam cansados de nós, mas no quarto deles, enquanto dormíamos e não percebíamos nada.

A fonte da nossa presente tristeza não é, portanto, uma falha especial do nosso amor. Ficamos tristes não porque estamos com a pessoa errada, mas porque, infelizmente, fomos forçados a crescer.

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(Assista a vídeos sobre o tema em The School of Life)

 

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