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Os Riscos Reais Do “sexting” Na Adolescência

Os riscos reais do “sexting” na adolescência A troca de mensagens sexuais entre os jovens aumentou - e muito - nos últimos anos. Apesar de natural, a prática traz riscos graves que podem ser evitados.

A troca de mensagens sexuais – “sexting” – entre adolescentes e crianças mais novas aumentou ao longo da última década, indica um novo estudo publicado na revista JAMA Pediatrics. De acordo com a investigação, um em cada quatro jovens disse ter recebido mensagens sexuais e um em cada sete revelou ter enviado.

Os pesquisadores enfatizam que essa troca de materiais é normal no comportamento sexual e de formação de identidade na era digital. Na verdade, não está acontecendo nada de novo, a não ser a introdução da tecnologia na equação. “Não é terrivelmente surpreendente considerando a idade dos adolescentes, o interesse sexual aumenta. Eles estão tentando descobrir quem eles são” disse o coautor do estudo, Jeff Temple, professor de psiquiatria da University of Texas Medical Branch.

SEXTING E PRÉ-ADOLESCENTES

Por outro lado, um dado preocupante surge no estudo: o percentual de encaminhamento desses conteúdos sem consentimento é de 12% e os relatos de quem teve um material disseminado sem autorização somam 8,4%.

Outro dado preocupante é com relação ao sexting entre os chamados “tweens”, os pré-adolescentes (entre 9 e 12 anos). A verdade é que apenas um único estudo com este grupo específico foi feito entre 2010 e 2011, o que pode parecer um século atrás quando falamos de internet. Mas, sabemos que as relações entre pré-adolescentes tendem a ser mais transitórias, o que aumenta a chance de terem seu conteúdo disseminado sem autorização. Ainda, a ingenuidade nesta idade pode levá-los à “sextortion”, uma forma de explorar os jovens através de chantagens ou ameaças com os conteúdos.

SEXTING E CYBERBULLYING

De acordo com o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de Educação da ONG SaferNet, o vazamento de conteúdo íntimo tem superado, em volume, casos registrados em comparação aos episódios de cyberbullying, nos últimos dois anos. A ONG registrou, no ano passado, 322 atendimentos em seu canal de ajuda sobre situações envolvendo o sexting. Com relação ao ciberbullying, a SaferNet registrou 265 pedidos de ajuda.

A facilidade de acesso à internet, a sensação de segurança provocada pelo uso do celular pessoal, a erotização precoce e a falta de instrução sobre educação sexual estão entre os fatores apontados pelo psicólogo para o aumento dos casos de sexting.

Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) apontam que 81,5 milhões de brasileiros com mais de 10 anos de idade acessam a internet pelo celular. O número representa 47% dessa parcela da população.

Leia também: Bullying: saiba tudo sobre a violência que já se tornou problema crônico no Brasil

Embora se possa pensar que o sexting consentido estaria relacionado com comportamentos impulsivos e de risco, como maior frequência de parceiros sexuais, maior número de parceiros concorrentes e o uso de drogas e álcool antes do sexo, esta correlação está longe de ser comprovada. Nem todos os jovens que fazem sexting estão se envolvendo em comportamentos problemáticos, até porque essa prática pode ser realizada dentro do contexto de relacionamentos saudáveis, entre namorados em uniões mais estáveis, respeitosas e duradouras.

Nesse sentido, teria muito a ver a influência de tudo o que acontece no outro lado da rede, ou seja, no ambiente em que as crianças e adolescentes cresceram, no qual os meios de comunicação e a publicidade influenciaram na sexualização precoce dos jovens. Sobre isso, vale dar uma olhada nos youtubers e instagramers que seu filho segue, bem como nas músicas que ouve e letras que canta.

O QUE FAZER?

Os pais devem ser “mais proativos do que reativos” em relação ao sexting para criar cidadãos digitais responsáveis. Ter conversas abertas e frequentes já em idades precoces, e não somente quando surgirem preocupações ou problemas concretos.

Os pais devem discutir o papel potencial do sexting em relacionamentos afetivos saudáveis, bem como os possíveis riscos e consequências da exposição na web. Mostre casos reais de vidas devastadas pela disseminação de conteúdo sem consentimento, muitas vezes por pessoas em quem a vítima confiava. Explique como um adolescente ainda não tem controle suficiente sobre suas reações e pode, em um momento de raiva, compartilhar algo proibido de alguém que até ontem era apaixonado. Busque vídeos de adolescentes conscientizando sobre o tema, vozes que eles se reconheçam.

Veja mais: Limites na adolescência: o papel dos pais na transição da infância para a vida adulta

Lembre-se sempre:

Ensine desde cedo a usar as tecnologias com moderação. Incentive (e participe) desde a infância de atividades na rua, nos parques, com outras crianças. Tenha momentos de leitura, de brincadeiras, diversifique as fontes de prazer.

Acompanhe a vida digital de seu filho de perto. Computadores e celulares no quarto são uma conquista e não um direito.

Acima de tudo, instrua seu filho a NUNCA ser amigo de pessoas que não conhece na dita vida real.

Séries temáticas Suicídio da Adolescência

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