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O Que A Religião Sabia Sobre Educação Que As Escolas De Hoje Ignoram?

O que a religião sabia sobre educação que as escolas de hoje ignoram? Um aspecto não religioso da religião deve ser trazido de volta para transformar a educação de hoje.

Uma das coisas mais óbvias e impressionantes da educação moderna é que você só passa por ela uma única vez. Você vai todo dia para a escola ou faculdade por alguns anos, fica abarrotado de informação e, então, quando tem uns 20 anos, você para e começa “o resto da sua vida”.

Antes da educação moderna, o principal sistema de educação no mundo era religioso. Era a religião que ensinava sobre ética, sentido da vida. E um dos aspectos mais interessantes de sua pedagogia era a obsessão pela repetição.

Para eles, era absurdo pensar em aprender qualquer coisa passando apenas uma vez. Toda a base da educação religiosa é apoiada na repetição. Cinco vezes por dia, um muçulmano deve ensaiar as ideias principais do Islamismo; sete vezes por dia, um padre cristão revisa as lições das escrituras. Para um judeu ortodoxo, 300 dias por ano são marcados pela comemoração das ideias no Torah, e um sacerdote zen senta-se com as pernas cruzadas, e medita até 20 vezes do nascer ao pôr-do-sol.

RELIGIÃO E A MENTE PENEIRA

Religiões têm uma visão da mente que pode ser chamada de “peneira”: tudo que é colocado na mente, é rapidamente perdido nas nossas memórias porosas.

EDUCAÇÃO MODERNA E A MENTE BALDE

De uma forma bem contrária, a educação moderna defende uma ideia implícita da mente como “balde”: tudo que é colocado na mente, ficará praticamente para a vida toda.

Por isso, não pensamos nada ao declarar sinceramente um livro como favorito, e mesmo assim atrever a lê-lo apenas uma vez. Muito menos ingênua e mais generosa, a ideia religiosa acredita que qualquer coisa que você fala para alguém de manhã será, de tarde, praticamente evaporada e terá sumido à noite. Repetição, então, seria a única forma de assegurar que alguma coisa ficaria aprendida na mente.

Há várias coisas que necessitamos manter em nossas mentes. A melhor parte de nós diz para nos mantermos calmos, sermos gentis, sabermos perdoar, termos tempo para apreciar, de ir além do preconceito e entender o que à primeira vista parece muito estranho. Nós fomos ensinados a ser assim uma vez, claro. Mas foi há muito tempo atrás, talvez quando tínhamos sete ou oito anos. E, naturalmente, isso não é prioridade da nossa mente enquanto seguimos nossas vidas, trombando com coisas e pessoas.

Existem ideias sábias de importância igual ou superior na ideia laica, em resposta à esfera religiosa, mas as pessoas que disseminam essas ideias são muito esperançosas sobre o funcionamento da nossa mente. Eles escolhem falar só uma vez sobre coisas que importam. E então, eles esperam que nós guardemos essas ideias para a vida toda.

Nós não podemos abandonar nossos conhecimentos mais preciosos para nossa frágil e vaga memória. Precisamos tomar a ideia de repetição da religião e criar nosso próprio “catecismo”, nossas próprias preces noturnas, nosso ciclo de revisão de conhecimento.

Precisamos manter as ideias importantes vívidas em nossa mente constantemente. Nunca devemos parar de aprender.

Nós devemos ser, diariamente, imersos em nossas grandes verdades: que nós vamos morrer, que devemos entender nós mesmos, que devemos amar, que os outros são tristes e não apenas ruins.

A maioria de nós está cansada de religião, mas não devemos esquecer o que a religião sabia tão bem sobre nossa mente: de que nada fica ativo nela a não ser que ensaiemos e repitamos nossos grandes valores a cada amanhecer.

(texto pelo filósofo suíço Alain de Botton, autor de Religião para ateus)

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