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O Que Fizemos Da Palavra AMOR

O que fizemos da palavra AMOR

Amor é nosso mais alto valor, é o que todos desejamos e o que acreditamos que nos torna fundamentalmente humanos.

Isso é verdade, até certo ponto, porque, com o passar dos séculos, fomos forjando uma ideia de amor que mistura movimentos como o Romantismo, aliado ao pragmatismo da vida contemporânea. Temos que trabalhar o dia inteiro, ganhar mais ou menos a mesma quantia, lavar os pratos antes de dormir e usar um pijama sexy, que afaste todo e qualquer tipo de cansaço da cama.

Criamos, enfim, uma imagem muito particular de amor. Um significado tão particular para esta palavra que, quando estendida a todos, acaba gerando mais ansiedade do que felicidade.

Principalmente, porque é natural nos compararmos aos outros e nos preocuparmos se somos totalmente normais. Assim, frequentemente nos parece que não estamos experimentando o amor do modo que deveríamos. A sociedade é altamente categórica nesse tópico.

Ela sugere que, para ser uma boa pessoa, todos devemos “amar” de um modo muito específico: se “amamos” alguém, devemos estar sempre excitados com a presença do nosso parceiro, devemos desejar vê-lo depois de cada ausência, devemos desejar abraçá-lo, beijá-lo e – acima de tudo – temos que desejar fazer sexo com ele quase todos os dias.

Em outras palavras, o “amor” deve seguir o roteiro do êxtase romântico durante toda nossa vida. Isso é lindo em teoria e altamente punitivo na prática.

Se vamos definir o “amor” e a ideia de “normalidade” assim, então, muitos de nós terão que admitir (com certa vergonha) que não sabem muito sobre o “amor” – e logo, que não são boas pessoas, sãs ou sequer normais.

Ou seja, nós fizemos da palavra “amor” um culto que foge radicalmente à qualquer experiência real de relacionamento.

A verdade é que existem muitos tipos de amor, cada um com suas virtudes – e é interessante voltarmos às origens deste sentimento para compreendermos cada um desses estados do coração, conhecendo os termos que os designam e dando a cada um deles uma legitimidade no processo.

Os Gregos uniram os poderosos sentimentos físicos que nós geralmente experimentamos no início de um relacionamento com a palavra “Eros”. Mas, eles sabiam que o amor não acabava quando esta intensidade sexual diminuía, como quase sempre diminui depois de um ano ou mais de relacionamento.

Nossos sentimentos, então, evoluem para outro tipo de amor, que eles usaram a palavra ‘philia’, que geralmente é traduzida como “amizade”, embora a palavra em Grego seja muito mais quente, leal e tocante que sua tradução. Por exemplo, uma pessoa morreria pela ‘philia’.

Aristóteles recomendava que evoluíssemos do Eros na juventude, e que, com a maturidade, passássemos a basear nossos relacionamentos em uma filosofia da philia. A palavra adiciona um significado importante para a nossa compreensão de uma união viável.

Philia nos permite ver que nós ainda amamos, mesmo quando estamos em uma fase que nosso vocabulário de uma única palavra já está acabando.

Os Gregos têm uma terceira palavra para esse amor: ágape. Isso pode ser traduzido como amor caridoso. É o que sentimos por alguém que se comporta mal ou sofre falhas de caráter – mas por quem ainda sentimos compaixão. É o que um Deus deve sentir pelas pessoas, ou o que o público sente por um personagem trágico numa peça.

É o tipo de amor que sentimos frente às fraquezas de alguém, ao invés de sua força.

E isso é crucial, porque nos lembra que amor não é só sobre admiração e virtudes, é também sobre simpatia e generosidade para o que é frágil e imperfeito em nós.

Tendo essas três palavras em mãos – eros, philia e agape – ampliamos poderosamente o nosso sentido do que é realmente o amor.

Agora sim, estamos prontos para amar de forma muito mais plena e viva!

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