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O Que Aconteceu Com O Desejo?

O que aconteceu com o desejo? A essência do desejo humano revela desafios e soluções para o principal elemento das relações.

A essência do desejo humano revela desafios e soluções para o principal elemento das relações.

Por que o bom sexo geralmente desaparece, mesmo em casais que continuam a se amar tanto? E por que uma boa intimidade não é garantia de um bom sexo, ao contrário do que a maioria acredita? Podemos querer o que já temos? Qual a diferença entre amor e desejo?

Essas são algumas perguntas que estão no centro da exploração da psicoterapeuta belga Esther Perel, mundialmente conhecida por estudar um conflito interno tão velho quanto a própria humanidade: a tensão entre a necessidade de segurança e a necessidade de liberdade.

Sobre o tema, o trabalho de Perel ensina que em todo lugar onde o romantismo entrou, parece existir uma crise do desejo – desejo como uma expressão da nossa individualidade, nossa escolha, preferências, identidade – desejo que se tornou um conceito central do amor moderno.

Esta é a primeira vez na história da humanidade que tentamos experienciar a sexualidade por um longo período não porque queremos 14 filhos, e não porque é “um dever conjugal da mulher”. Esta é a primeira vez que queremos que o sexo, com o passar do tempo, ainda tenha prazer e conexão baseados no desejo.

O que mantém o desejo e por que é tão difícil?

No centro da sustentação do desejo, em um relacionamento de longo prazo, está a conciliação de duas necessidades humanas fundamentais:

A necessidade de segurança: previsibilidade, proteção, dependência, confiança, permanência, todas essas experiências fundamentadas das nossas vidas que chamamos de lar.

A necessidade de aventura: novidade, mistério, risco, perigo, o desconhecido, o inesperado, surpresa.

Esta necessidade de reconciliação esses dois conjuntos de necessidades vem do nosso nascimento. Nossa necessidade de conexão, nossa necessidade de separação, nossa necessidade de segurança e aventura, ou nossa necessidade de estar juntos e de autonomia. Pense na criança que senta no seu colo e que está aconchegada, segura e confortável, e num certo momento precisa sair pelo mundo para fazer descobertas e explorar.

Conciliar nossa necessidade por segurança com a nossa necessidade por aventura em um relacionamento, ou o que chamamos hoje de um “casamento apaixonante”, costumava ser uma contradição.

Matrimônio era uma instituição econômica em que havia uma parceria por toda vida em relação aos filhos, “status” social, sucessão e companhia.

Hoje em dia, queremos que nosso parceiro continue a nos dar tudo isso e, além disso, quero que seja meu melhor amigo e meu confidente, meu amante apaixonado, e vivemos o dobro do tempo. Então, nós basicamente pedimos a uma pessoa que nos dê o que antes um vilarejo inteiro nos fornecia: merecimento, identidade, continuidade, mas também transcendência, mistério e admiração, tudo junto.

No amor, nós queremos conhecer o amado. Queremos minimizar a distância. Queremos diminuir o espaço. Queremos neutralizar as tensões. Queremos proximidade.

Mas, no desejo, temos a tendência de não querer voltar aos lugares em que já estivemos. No desejo, queremos um Outro, alguém do outro lado que podemos visitar, que podemos passar um tempo juntos, que podemos ir para saber o que está acontecendo no mundo dele. No desejo, queremos uma ponte para atravessar.

Assim como o fogo precisa do ar, o desejo precisa de espaço.

Quando olho para meu parceiro a uma distância confortável, seja após uma viagem separados ou em um evento social, em que você observa seu parceiro conversando com outras pessoas, que seu parceiro se torna tão familiar, tão conhecido e também um tanto misterioso, um tanto elusivo.

E nesse espaço entre eu e o outro, encontra-se o impulso erótico, encontra-se o movimento em direção ao outro.

Porque algumas vezes, como disse Proust, “a verdadeira viagem do descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em possuir novos olhos”.

Ou seja, desejo, sexualidade é um lugar para onde você vai. É um espaço que você entra dentro de você e com o outro. Aonde você vai no sexo? Que partes suas você se conecta? O que você deseja expressar? É um lugar de transcendência e união espiritual? É um lugar para travessuras ou um lugar para agressividade segura? É um lugar onde você pode finalmente se render e não ter responsabilidade de nada?

Sexo por si só é biologia, é instinto natural. Os animais o fazem. MAS, somos os únicos que têm uma vida erótica, o que significa que o desejo foi transformado pela imaginação humana. O erotismo é uma espécie de inteligência criativa que se cultiva. Existem algumas coisas comuns aos casais eróticos.

  • Primeiro, eles têm muita privacidade sexual.
  • Eles entendem que existe um espaço erótico que pertence a cada um deles.
  • Eles também entendem que as preliminares não começam apenas cinco minutos antes da relação sexual. As preliminares começam no bom dia.
  • Eles também entendem que o espaço erótico não é começar a acariciar o outro. É criar um espaço onde você deixa de lado o trabalho e entra naquele espaço em que você para de ser o bom cidadão que cuida de tudo e é responsável. Responsabilidade e desejo são inimigos.

Os casais eróticos entendem que a paixão vai e volta. Como a lua. Tem eclipses de vez em quando. Eles sabem que conseguem ressuscitá-la. Eles sabem como trazê-la de volta e sabem como trazê-la de volta porque eles desmistificaram o grande mito, que é o mito da espontaneidade, aquele que vai cair do céu enquanto você limpa a casa assim inesperadamente.

Sexo comprometido é sexo premeditado. É determinado. É intencional. É foco e é presença. É inteligência emocional e criativa.

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