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O Que A Felicidade Faz Pela Sua Empresa? Entrevista Com  A Consultora Carioca Celina Joppert

O que a Felicidade faz pela sua empresa? Entrevista com a consultora carioca Celina Joppert

Esta semana, no jornal Zero Hora, saiu uma entrevista com a consultora de empresas Celina Joppert. Ela falará no Congresso de Stress da International Stress Management Association do Brasil (Isma-BR), em Porto Alegre, e considerei bastante relevante trazer esta entrevista para cá.

A essência do que Celina dirá é muito similar ao que aplico nas empresas e nos sistemas humanos em geral. Aqui, o tópico é fundamentalmente a Felicidade.

A Felicidade precisa estar em nossa vida individual e dentro das empresas. Este é o único caminho para gerarmos negócios mais sólidos e sustentáveis ao longo do tempo.

A felicidade transforma o acordo pontual em laço permanente.

Por isso, direta ou indiretamente, Felicidade é o tema que trabalho nas empresas.

Eu tento inverter a lógica da produtividade – não porque ela não importa, pelo contrário, mas porque quando a produtividade passa a ser consequência da dinâmica, o sistema se move e cresce vivo.

É justamente quando aprendemos a praticar a lógica de forma inversa que vemos o verdadeiro florescer da empresa e de seus funcionários: é preciso ser feliz para ir atrás do sucesso.

Cada vez mais, temos implementado esta nova forma de atuar no mundo, uma forma que tem seu eixo na psicologia positiva. A psicologia positiva tem ganhado tantos adeptos justamente pelos resultados tangíveis que proporciona.  E pela fluidez com que atinge estes objetivos.

Celina Joppert tem a base de sua formação na música e no design e é certificada em psicologia positiva, que explora a ciência da felicidade e o potencial humano.

Para ela, a infelicidade na empresa é o fator que gera os principais inimigos do seu negócio: falta de engajamento, alta rotatividade de funcionários, clima péssimo, funcionários altamente desmotivados e doentes, produtividade caindo absurdamente.

Já uma empresa que atua sobre a Felicidade dos funcionários…

A força de trabalho dessa empresa com bem-estar vai estar mais produtiva, engajada, trabalhando com mais propósito, vai ver mais oportunidade, vai ter mais inovação, vai estar mais apta a inovar.

Confira a entrevista com a consultora abaixo e, se esta fala fizer sentido para você, não deixe de entrar em contato comigo e implementar esta visão de mundo na sua empresa.

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Você trabalha com a psicologia positiva. Do que se trata?

Psicologia positiva é a ciência da felicidade e do potencial humano. É um campo da psicologia que nasceu oficialmente em 1998, com o Martin Seligman (psicólogo norte-americano).

Ele fez uma pergunta que mexeu com a Associação Americana de Psicologia (que presidia à época): por que também não estudar o que funciona, o que dá certo, as pessoas que têm sucesso, as empresas que prosperam? 

Até então, as pesquisas da psicologia eram todas focadas em doença mental, trauma. Até então e até hoje, o que é espetacular, a psicologia tradicional ajuda as pessoas a saírem dos traumas, de questões difíceis, para chegar à normalidade. Mas chegar à normalidade não quer dizer que você esteja no seu melhor. 

A mesma coisa com a saúde: a ausência de doença não quer dizer que você esteja supersaudável. A partir desse pressuposto, você também pode entender que o ser humano, a partir do momento em que está em um nível de normalidade, pode ir além, e isso é muito bacana. 

O que é felicidade?

A definição é subjetiva, tem a ver com o que cada um vivencia, como a gente se sente a respeito de nossas vidas, como representa internamente o que acontece. 

Um fato pode ter um impacto interno negativo e posso transformar essa representação em algo positivo ou pelo menos em algo não negativo. Esse é o poder que está em nossas mãos.

Às vezes, nos deixamos levar pelo que a gente foi treinado para ser ou pela maneira como nosso cérebro é configurado.

Temos o poder de reconfigurar o cérebro para, quando algo externo acontecer, representar isso da forma que a gente quiser. 

Essa liberdade é nossa e ninguém nos tira. Não quer dizer que a gente vai ser Poliana e só pensar no positivo, aquela coisa fora da realidade. Isso é doença, você se desconecta da realidade se só ficar no positivo.

Mas, temos a possibilidade de transformar algumas emoções negativas em positivas. E isso pode ser feito intencionalmente. A felicidade é individual.

Uso uma métrica para mim: será que hoje sou mais feliz do que cinco anos atrás? Isso, para o indivíduo, é bem bacana de fazer. 

A felicidade é uma escolha?

É isso o que eu e várias pessoas que trabalham nesse campo pregamos. Você escolhe ser feliz pela possibilidade de representar de forma diferente, internamente, o que está acontecendo na sua vida. A gente pode conquistar a felicidade a cada dia. É um exercício.  

O estado de felicidade é transitório. Tem um dito popular que fala “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. Há de se aprender a lidar com isso desde muito cedo, não?

Exatamente. Temos que aproveitar o momento feliz, saborear, sentir, além de promover mais momentos felizes intencionalmente. Às vezes, deixamos a vida nos levar. Fomos treinados para promover, intencionalmente, uma série de coisas, mas não a felicidade. 

Ficamos meio no piloto automático, resolvendo problemas… 

E vamos tocando. Não usamos esse poder que cada um tem.

Não está muito fácil ser feliz no Brasil atualmente. O que fazer em cenários adversos? Como encará-los?

Uma das formas muito poderosas de promover a felicidade é sendo grato. Independentemente do que está acontecendo no nosso país, no mundo – vai ter sempre algo ruim e difícil acontecendo –, temos muitos motivos para agradecer, e às vezes não os percebemos, não os valorizamos, não os reconhecemos.

Existe um exercício muito forte, e esta é uma das intervenções mais poderosas para você promover a felicidade: todo dia, você escolhe de três a cinco motivos pelos quais é grato. Coisas específicas. Quanto mais específico ficar, mais o seu cérebro vai começar a trabalhar de uma forma diferente.

Você vai reconfigurar seu cérebro. Por exemplo, sou muito grata por ter tido a oportunidade de passar um final de semana inteiro com meu irmão, que mora nos Estados Unidos, e a família dele não vem ao Brasil há três anos. Estou agradecida por isso ter acontecido na minha vida. 

Você vai escrevendo esses motivos todos os dias. Pode ser grato por coisas supersimples, como um prato de comida delicioso, o seu café predileto… Não é algo pequenininho, um cafezinho? Mas foi um momento em que você parou, respirou, saboreou, refletiu, e isso é um motivo pelo qual ser grato.

Uma coisa enorme, como ganhar uma promoção no trabalho, já é esperado que você reconheça. Mas o mais valioso é, no dia a dia, encontrar esses três a cinco motivos para ser grato. 

A felicidade está nas pequenas coisas, como se diz. 

E é verdade. O cérebro foi configurado para se proteger de ameaças. Quando você está com algum estresse, fica no modo de ameaça, vê somente ameaça.

Só que, hoje em dia, não é bem assim, não precisamos mais fugir daquele bicho que vai comer eu e minha família, e para isso tenho que ficar alerta para nos proteger. Não.

Estresse a gente tem no dia a dia, o tempo todo, mas, se a gente conseguir transformar essa configuração para que o cérebro, em vez de detectar somente ameaças, detecte também oportunidades, razões para ser grato, ele vai começar a escanear os fatos positivos, as coisas boas. Não quer dizer que você vai ser um alienado. 

Falando em ser grato, a palavra gratidão, nas redes sociais, acompanhada do sinal hashtag, parece ter se banalizado. Você acha isso ruim?

Acho que gratidão é sempre bom. É a teoria do velcro e do teflon: o que é ruim gruda, como se fosse um velcro, e a gente vai lembrar do que aconteceu de ruim e vai esquecer, como se fosse uma panela de teflon, em que nada gruda.

Se as pessoas estão usando a palavra gratidão, não vejo problema nenhum. Acho uma coisa até boa. As mídias sociais aumentam tudo, têm um poder muito grande. Mas, se esse poder for para o bem, ótimo. 

Como se exercita a felicidade no cotidiano?

Felicidade é uma construção, são vários elementos. Você pode investir nesses elementos e aumentar o seu nível de bem-estar e felicidade. Por exemplo, ter significado, sentir-se parte de algo maior, entender que existe um propósito além daquilo que você está realizando naquela tarefa.

Pense: por que estou fazendo isso? Por que estou arrumando toda a minha casa? Por que esse jantar que darei hoje é importante? Ok, tenho que ir ao supermercado, tenho que fazer um monte de coisa chata, mas ele vai permitir reunir a minha família. 

Hoje em dia, a quantidade de empresas que está buscando propósito, além de somente lucros e resultados, é enorme. Hoje já se sabe que as pessoas, quando estão movidas por um propósito, são mais felizes e produtivas.

Temos que buscar significado, razões maiores, que realmente tenham a ver com nossos valores, com quem a gente é, com quem a gente acredita, com o que a gente acredita, e botar essa dose de significado no dia a dia. 

Outra coisa é ter relacionamentos de qualidade, e não apenas nas mídias sociais. Mais ao vivo, presenciais, olho no olho. 

Você sentir que tem pessoas que se importam com você é uma via de mão dupla. Relacionamento é um elemento muito importante, fazer deles relacionamentos positivos, estar próximo das pessoas de quem a gente gosta, promover essas relações importantes e saudáveis.

A qualidade dos nossos relacionamentos é superimportante para aumentar nosso nível de felicidade. Tem que investir isso, não é somente deixar acontecer. 

Não é só curtir fotos nas redes sociais. Tem que se esforçar para ter um encontro presencial de vez em quando.

Exatamente. Aproximar-se de pessoas que são nutritivas, que gostam de você, que têm uma troca rica com você. Esse é um fator muito importante para aumentar nosso nível de felicidade.

Tem aquela história de encontrar um conhecido e prometer “vamos marcar alguma coisa”, mas nunca marcar. Isso exige esforço de todos, não é mesmo?

É cultivar. A felicidade dá trabalho. Um exercício, por exemplo, para fazer todos os dias é escrever um e-mail, ou uma mensagem, ou ligar para alguém importante para você, ou trazer para o seu dia a dia novas relações que você achou interessantes… “Oi, estou aqui, pensei em você.”

Tem que ser algo focado naquela pessoa, não é “para geral”. Você vai começar a cultivar. É com pequenos hábitos e ações que conseguimos aumentar nosso nível de bem-estar.

Você afirma que a felicidade no trabalho pode ser construída individual e coletivamente e que uma empresa pode promover a cultura da felicidade. De que maneira?

O individual é o que estamos falando aqui, de dentro para fora, intencionalmente, trazer para o nosso dia a dia a possibilidade de ter uma vida com mais qualidade, bem-estar e felicidade, colocando luz nesses elementos superimportantes, como relacionamentos, significado, realizações – o ser humano é movido a realizações.

Não devo esperar que a empresa faça por mim. A gente deve promover isso internamente, como um estilo de vida, uma filosofia de vida. Sou responsável pela minha felicidade.

Se estou em uma empresa que não tem essa cultura, posso promovê-la. Não sou refém da vida, da empresa, das pessoas. Tenho responsabilidade pela minha felicidade, pela minha realização, pela minha carreira.

No coletivo, o bom é ter uma empresa que fomenta a cultura de valorizar os funcionários, reconhecer seus talentos, buscar formas de eles estarem no seu melhor. Isso é uma coisa fundamental.

Quando há pessoas sendo reconhecidas por sua liderança, o percentual de engajamento é absurdamente mais elevado do que se você não tiver esse reconhecimento. Isso gera engajamento.

Existem empresas que têm funcionários com essa função, uma área da empresa onde as pessoas são responsáveis por promover a felicidade ali dentro. É fundamental que a felicidade e o bem-estar sejam defendidos, cultivados, exercitados. 

É uma escolha também da organização de colocar dentro do seu ambiente essa ideia de que a gente promove o bem-estar e a felicidade. E os resultados são comprovadamente maravilhosos. 

Aí vem a produtividade…

Vêm produtividade, diminuição do absenteísmo (faltas). O clima, nem se fala, melhora absurdamente. As pessoas ficam mais colaborativas. Quando você está bem, você gosta de compartilhar, de ajudar. 

Há mais produtividade, com certeza. Quando as pessoas estão com o cérebro funcionando de uma forma mais produtiva, elas veem mais oportunidades, têm a possibilidade de solucionar problemas de uma forma mais criativa e eficaz, são mais criativas.

Há muito retorno se você investe em felicidade em uma empresa. O relacionamento entre o funcionário e a própria empresa fica mais bacana. Ele passa a ser um “embaixador” daquela empresa.

Ainda que a pessoa seja agente da própria felicidade e não deva esperar pelos outros, em relação ao bem coletivo isso tem de ser uma via de mão dupla, não é? A organização onde ela está inserida também precisa dar retorno para isso.

Para o seu próprio bem, é preciso fazer a sua parte. Por exemplo, se você tem um chefe de quem não gosta, e este é um dos fatores mais comuns e que mais impactam a felicidade de uma pessoa dentro de uma empresa.

Se você entende que pode encontrar ali razões e motivos que podem ser positivos… Não estou dizendo que você vai ficar trabalhando com um chefe que você detesta, mas naquele momento ali, se você pode procurar formas de entender aquela estrutura, quem é aquela pessoa, o que ela está trazendo de aprendizado para você…

Às vezes, esse aprendizado se dá de uma forma difícil. Um dos elementos para o aumento da felicidade e do bem-estar é a resiliência.

Se você estiver trabalhando no seu estado de felicidade e bem-estar, pelo seu próprio bem, se você promove um estado positivo, uma energia positiva, mesmo com uma situação adversa, você vai, de alguma forma, trazer mais possibilidades para si próprio.

Se você estiver o tempo todo naquele modus operandi da reclamação, se achando vítima, prejudicado, você vai estar nesse lugar desfavorável para você em termos de energia, com o cérebro funcionando de maneira negativa.

Você tem que procurar sair desse estado para que, naturalmente, as coisas boas aconteçam, como achar um novo trabalho, se for o caso, ou mudar de área. Mas se você entrar naquele lugar da reclamação, da vitimização, da contaminação, de ficar falando para os outros da sua desgraça… Aí você vai vibrar nessa energia. 

Mas dá para ser feliz com chefe chato? 

Dá para ser feliz com chefe chato. Dá para ser feliz em momentos de dificuldade, porque você não precisa ficar o tempo todo sofrendo. Você pode ter momentos difíceis na sua vida, com coisas sérias acontecendo, mas você pode ter janelas de felicidade, ao mesmo tempo. É possível, sim. 

Quais os prejuízos para uma organização “infeliz”?

Muitos: falta de engajamento, alta rotatividade de funcionários, clima péssimo, funcionários altamente desmotivados e doentes, produtividade caindo absurdamente. É uma empresa que não está saudável.

Nesse mundo que a gente está começando a ver, no futuro do trabalho, essas empresas não vão ter sustentabilidade, não vão durar. 

A regra do jogo está mudando. As pessoas estão começando a entender que é possível trabalhar e ser feliz, e não ficar deixando para ser feliz só no final de semana. 

Este é um conceito que ainda está sendo introjetado, né? A ideia do trabalho como fardo ou punição continua sendo muito forte. 

Muito grande. Ainda tem, hoje em dia, muita gente que trabalha apenas pelo dinheiro e que não trabalha para ter uma realização. A pessoa não está trabalhando o que tem de melhor.

Por isso que essa abordagem de encontrar nas pessoas os seus talentos e suas forças é um indicador muito grande para que alguém esteja realmente comprometido com a empresa.

Porque, quando usamos o que temos de melhor, nossos talentos, forças, virtudes, nos sentimos bem, é bom, é prazeroso.

Nas diversas áreas de atividades profissionais, você encontra pessoas que têm esse elemento: “Eu estou aqui usando o que tenho de melhor”. Isso vai naturalmente gerar um funcionário feliz.

Uma empresa que trabalha só na cobrança, na crítica e na busca de resultados e não reconhece o indivíduo vai ser uma empresa infeliz, onde as pessoas vão estar ali fazendo algo que não tem sentido para elas, algo em que não veem um propósito maior.

Outra coisa: a competitividade. Se você tem uma empresa competidora que faz a mesma coisa que a sua empresa e promove o bem-estar, esta é uma vantagem competitiva.

A força de trabalho dessa empresa com bem-estar vai estar mais produtiva, engajada, trabalhando com mais propósito, vai ver mais oportunidade, vai ter mais inovação, vai estar mais apta a inovar.

Ou, se você quiser falar do lado negativo, uma empresa sem bem-estar perde no mercado competitivo.

(Via Zero Hora)

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Dolores Bordignon

Palestrante, Psicopedagoga e Coach

Dolores Bordignon tem mais de duas décadas de experiência clínica, somando centenas de casos individuais e equipes que desejam construir novos paradigmas. Suas palestras e workshops trazem à luz a inteligência emocional para a fluidez nas relações pessoais, profissionais e familiares.

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