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O Caminho Para A Autoconfiança: Ria De Si Mesmo (e De Todos)

O caminho para a autoconfiança: ria de si mesmo (e de todos)

Alain de Botton, considerado o “filósofo da vida cotidiana”, traz insights bem diferentes sobre o caminho para a autoconfiança. De Botton apresenta lições que datam desde o século 15 para nos sentirmos bem com nós mesmos e para gerarmos a coragem necessária que abrirá as portas às mais interessantes aventuras da vida. Não perca:

O CAMINHO DA AUTOCONFIANÇA – ria de si mesmo (e de todos)

Há um tipo de falta de confiança que surge quando crescemos muito apegados à nossa própria ideia de dignidade. Por causa desta ideia, ficamos ainda mais ansiosos diante de qualquer situação que possa ameaçar esta suposta “dignidade perfeita” à qual todos teríamos direito.

Uma coisa que geralmente ocorre é nos privarmos de desafios que apresentem qualquer risco de parecermos ridículos por acharmos que nós estamos acima disso – ou pior, que existem pessoas que estão sempre acima do papel de bobo. Ao nos privarmos do risco, nos privamos, é claro, de quase todas as situações mais interessantes da vida.

Podemos desejar beijar alguém, mas nunca revelar nosso desejo por medo da pessoa nos encarar como um perdedor carente. No trabalho, podemos nem tentar uma promoção para que a chefia não nos considere arrogantes ou iludidos.

Em uma tentativa de nunca parecermos tolos, não nos aventuramos muito longe dos nossos casulos, e, assim, – de vez em quando, pelo menos, – perdemos as melhores oportunidades de nossas vidas.

No coração da nossa falta de confiança, há uma imagem distorcida de quanta dignidade uma pessoa comum possui. Um ideal de confiança que levaria alguém a nunca fracassar ou passar vergonha – e que este alguém poderia ser você.

PORÉM…

Um dos livros mais interessantes escritos no início da Europa Moderna é o “Elogio da Loucura” pelo estudioso holandês e filósofo, Erasmo. Em suas páginas, Erasmo elabora um argumento extremamente libertador:
de forma branda, ele nos lembra que todos, não importa o quão estudados, eruditos ou importantes sejamos, somos, no fundo, apenas bobos.

Ninguém é poupado, nem mesmo o autor. Independente de tudo que ele havia estudado, Erasmo permanecia – ele mesmo insiste na obra – tão tolo quanto qualquer outra pessoa: seu julgamento é defeituoso, suas paixões tiram proveito dele, ele é vítima de superstições e medos irracionais, ele é tímido sempre que tem de conhecer novas pessoas, ele deixa cair coisas em jantares elegantes. Ele é tolo, como todos nós.

Isso é profundamente animador, pois significa que nossas próprias idiotices repetidas não precisam nos excluir das melhores companhias!

Cometer gafes, fazer asneiras e fazer coisas estranhas no meio da noite não nos torna impróprios para a sociedade; tudo isso só nos aproxima um pouco mais do maior estudioso da renascença europeia.

Há outra mensagem semelhante e positiva na obra de Pieter Bruegel. Sua principal pintura, “Provérbios Neerlandeses”, apresenta uma visão cômica e desencantada da natureza humana.

Nela, ele sugere, todos são basicamente loucos. Veja ao final do post: um homem jogando seu dinheiro dentro do rio; um soldado fica de cócoras sobre o fogo e queima suas calças; alguém bate a cabeça contra uma parede de tijolos; outro alguém está mordendo um pilar.

É importante ressaltar que a pintura não é um ataque a apenas alguns pessoas terríveis, pelo contrário, é (ou deveria ser), uma bela arte sobre partes obscuras de todos, todos nós.

Os trabalhos de Bruegel e Erasmo propõem que o caminho para uma maior confiança não é reafirmar nossa própria dignidade – é fazer as pazes com a natureza inevitável do nosso ridículo.

Assim, nos tornaríamos livres para tentar novas coisas, compreendendo que o fracasso – e até mesmo o ridículo — não são apenas aceitáveis, mas como normais e inevitáveis. E de vez em quando, no meio das intermináveis rejeições pelas quais passamos, algumas coisas realmente dão certo! Se tentarmos com isso em mente, veremos como podemos conseguir o beijo que queremos, fazer amizades com pessoas que admiramos e ganharmos o tão esperado aumento!

 

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