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Natal: época De Família E Felicidade (mas Não Para Todos)

Natal: época de família e felicidade (mas não para todos)

Nesta época festiva, existem determinados acontecimentos da nossa vida que sentimos com mais intensidade, quer seja porque fazemos uma retrospectiva do ano que passou ou porque determinados acontecimentos marcantes não nos deixam viver esta época repleta de magia e simbolismo de forma plena.

O Natal é uma época simbólica. Simboliza o nascimento e consequentemente simboliza o conceito que a nossa sociedade tem de família. É uma época em que habitualmente a família se reúne, e em que se tem a ideia mágica que todos os problemas e conflitos desaparecem por alguns dias.

No entanto, para outros, esta época em vez de mágica, torna-se muito amarga, pois é quando ficam mais presentes determinados acontecimentos marcantes da nossa vida, que acabam por ser vividos com mais intensidade. Quem não tem família com quem se reunir, quem viveu a morte de alguém próximo ou vivenciou uma separação/divórcio recente ou quem está a enfrentar um acontecimento difícil na sua vida, sente mais estas questões neste período.

Além do espírito de Natal que permeia as ruas, a televisão, as conversas entre amigos e colegas de trabalho, também há o fator tempo: no Natal, o mundo para. Para-se de trabalhar, a rotina diária é alterada e há algo que nos faz pensar. E se não faz pensar, pelo menos faz sentir, algo que nem percebemos bem o que é, mas que se sente.
É importante salientar que a intensidade da dor de cada um depende muito da personalidade e da experiência de vida individual. Por isso, é sempre importante lembrar que não cabe a nós julgar, apenas aceitar.

Natal e Solidão

Para quem vive uma vida mais solitária, com conflitos ou distanciamento de familiares, é frequente sentir mais o peso da solidão e do abandono. Podem surgir sentimentos de mágoa por estarem sós ou de abandono por sentirem que foram deixados sós. É nessa altura que uma pessoa percebe mais intensamente a solidão em que vive, sem por vezes perceber muito bem os reais motivos que a conduziram a uma vida mais solitária.

E se não se sabe o motivo real, então a dor poderá ser mais intensa e mais difícil de ser ultrapassada. Há que perceber bem o porquê dos nossos sentimentos, de nossas escolhas e o porquê do rumo da nossa vida, para depois podermos lutar e ultrapassar o que nos causa mal-estar.

Natal e Luto

Para quem está de luto, é uma dor diferente, pois já existe um motivo mais claro, mas sentirmos que alguém que nos é querido, que todos os anos estava ali, e de repente, deixa de estar, torna o Natal uma época difícil, em que sofremos pela perda, pelo luto e pela pessoa que já não está presente, vivendo aquele acontecimento junto de nós.

É comum sentirmos essa pessoa mais viva dentro de nós, principalmente se a perda foi recente e/ou o processo de luto não estiver concluído. O recordar mais essa pessoa, lembrá-la no seu passado ou imaginá-la ali conosco são alguns dos pensamentos fantasiosos e comuns. Nesta situação, a procura especializada de um técnico que ajude não só a suportar a dor, mas também a cruzar corretamente o processo de luto, é essencial para o retorno do nosso equilíbrio psíquico.

Natal e separação/divórcio

Uma separação familiar, quer do ponto de vista do casal, quer do ponto de vista dos filhos, é sempre sentido com muita tristeza, já que o casal sente com mais intensidade a alteração que ocorreu nas suas vidas. Semelhante ao processo de perda/morte de um familiar, aqui também há muitas recordações que virão à mente, quase um processo de luto, em que a pessoa está viva.

Neste tipo de separação/perda, também podem ocorrer sentimentos de abandono (pela pessoa deixada), e culpa (pela pessoa que deixou), ou abandono e culpa por ambos, ou a simples recordação dolorosa de uma etapa que já terminou, quando a separação é de comum acordo e um processo efetuado de forma adequada.

Para os filhos de um casal recém-separado, a situação pode se tornar ainda mais complicada. A criança sofre pelos mesmos motivos dos adultos — pela mudança, pelo abandono, porque sente a perda de um dos pais, porque os sente divididos e tem que se dividir entre eles, e sofrem pelo sofrimento que os pais sentem e não conseguem esconder. Este processo torna-se mais complicado se os pais não gerirem essa separação de forma equilibrada e sem conflitos.

Agora, imaginemos estes sentimentos nesta época do Natal, caso os pais coloquem o peso da decisão de com quem o filho irá ficar na própria criança, fazendo-a sentir-se culpada, quer escolha um ou o outro. Para minimizar este tipo de sofrimento na criança, é importante que o casal mantenha uma relação estável, de amizade e harmonia de forma a transmitirem à criança que, apesar de separados, estão juntos para ela, estão lá para ela. Devem falar com ela sobre as decisões relativas ao Natal sem culpas ou mágoas. Decidindo sempre em união.

Sabe-se que por vezes essa situação ideal nem sempre é possível. Por isso, num processo de divórcio, será importante haver um acompanhamento psicológico que ajude a gerir este tipo de situações e sentimentos de forma a ajudar a família a saber viver com os acontecimentos e a ultrapassá-los transformando-os sempre em algo positivo e construtivo para as suas vidas.

Independentemente do tipo de perdas que podem vir a doer para sempre dentro de nós, é importante percebermos que é possível diminuir substancialmente a intensidade dessa dor e jamais culpar-se pelo tempo individual destes processos. Seja honesto com seus sentimentos, tenha a coragem de expô-lo aos outros. Viva o processo que estiver vivendo. Faça da solidão e do silêncio um período de reflexão interna, de balanço para novos tempos que virão.

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