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Luto E Retomada: Tempo Para Curar

Luto e retomada: tempo para curar Viúvas abrem o coração sobre dores e caminhos rumo a novas vidas.

Sob a luz fraca da cozinha de seu pequeno apartamento, Jane põe a mesa de forma mecânica. Afinal, ela precisa comer alguma coisa. De repente, olha para os dois pratos à sua frente . . . e cai em prantos. Por força do hábito, ela pôs a mesa para dois. Faz dois anos que seu querido marido faleceu.

Para quem nunca passou por isso, é impossível entender como é grande a dor causada pela perda do cônjuge. De fato, a mente humana demora para aceitar essa terrível realidade. Berli, de 72 anos, não conseguia aceitar a morte repentina de seu marido. “Parecia mentira”, diz ela. “Eu não podia acreditar que ele não entraria mais por aquela porta.”

Nem sempre sabemos como ajudar amigas que perderam os maridos. As histórias são diferentes e a dor é individual. Tentamos nosso melhor, mas temos receio de invadir ou de causar ainda mais dor. A própria viúva, neste momento de confusão, pode nem saber como pedir ajuda e este não saber de ambas as partes, amigos e viúvas, pode maximizar o sentimento de solidão.

Por isso, criamos o Grupo Qualidade de Vida na Viuvez. Liderado pela psicoterapeuta Dolores Bordignon, o grupo na escola Menthes Porto Alegre reúne o melhor dos dois mundos: as lições e a força de quem está passando por este momento e o conhecimento de um profissional especializado, que também conhece a dor do luto. Juntas, estas mulheres aprendem a respeitar seu tempo, a se conhecer, a enxergar a vida e as pessoas sob novas perspectivas. Elas aprendem novos caminhos rumo a novas vidas e sentidos.

Ligue para nós, venha conhecer o Grupo Qualidade de Vida na Viuvez e conversar com Dolores Bordignon.
A Menthes Porto Alegre fica na R. Felipe de Oliveira, 1.397 – Bairro Petrópolis (fone: 3024.3088).

Coisas a evitar

Amigos e familiares preocupados e com boas intenções talvez tentem diminuir o tempo do processo de luto da pessoa. No entanto, um pesquisador que fez um estudo com 700 viúvas e viúvos escreveu: “Não existe um período ‘certo’ para o luto.” Assim, em vez de tentar fazer com que a pessoa não chore, dê tempo para ela expressar sua dor.

Embora seja apropriado ajudar a cuidar de formalidades relacionadas ao funeral, você não precisa assumir o controle de todos os assuntos. Helena, uma viúva de 68 anos, diz: “Visto que eu não conseguia pensar direito, era difícil tomar as providências para o funeral e tratar de toda a documentação. Felizmente, meu filho e minha nora me ajudaram bastante.”

Além disso, não tenha receio de falar sobre a pessoa querida que faleceu. Berli, já mencionada, lembra: “Meus amigos me deram bastante apoio. Mas percebi que muitos evitavam falar sobre meu marido, Jonas. Era como se ele nunca tivesse existido, e isso me deixava um pouco magoada.”

Com o tempo, as viúvas talvez desejem falar abertamente sobre o cônjuge. Você se lembra de um gesto bondoso ou de uma história engraçada sobre a pessoa que morreu? Então, fale isso para o cônjuge dela; não fique com receio. Caso sinta que seu comentário será bem-vindo, diga o que você gostava na pessoa ou do que sente falta. Isso talvez ajude cônjuges enlutados a ver que outros compartilham sua dor.

Quando mais se precisa de empatia

Helena se deu conta de que o momento em que mais precisou de apoio emocional foi quando a maioria dos parentes já tinha voltado para a sua rotina. Ela diz: “Os amigos e familiares ajudam no início. Depois a vida deles volta ao normal, mas a sua não.” Tendo isso em mente, amigos verdadeiros mantêm-se à disposição e continuam a dar apoio.

Talvez, uma viúva ou um viúvo precisem mais de companhia em dias específicos como o aniversário de casamento ou a data da morte do cônjuge. Helena disse que seu filho adulto procura preencher o vazio que ela sente em seu aniversário de casamento: “Todo ano, nesse dia, meu filho me leva para sair e depois vamos a um restaurante. Fica uma coisa entre mãe e filho.” O que acha de anotar essas datas mais difíceis para um familiar ou amigo viúvo?

Alguns acham consolador falar com alguém que passou pela mesma situação. Ana, viúva há oito anos, disse o seguinte sobre como sua amizade com outra viúva foi de ajuda: “A determinação dela me impressionou muito e me incentivou a ir em frente.” Realmente, depois de superar os estágios iniciais do luto, as viúvas e os viúvos podem se tornar exemplos para outros e uma fonte de esperança.

Tempo para curar

Para voltar a ter gosto pela vida, quem é viúvo precisa encontrar o equilíbrio certo entre preservar a memória da pessoa que amava e cuidar de suas próprias necessidades. O sábio Rei Salomão reconheceu que há um “tempo para chorar”. Mas ele também disse que há um “tempo para curar”.

A lealdade ao cônjuge falecido faz com que alguns se recusem a deixar o passado para trás. Outros acham que se divertir um pouco seria uma traição, por isso se recusam a sair ou conhecer outras pessoas. Como ajudar de maneira suave as viúvas e os viúvos em seu processo de cura, ou seja, a seguir em frente com sua vida?

Um passo inicial pode ser ajudar a pessoa a expressar seus sentimentos. Ao expressar sentimentos conflitantes como remorso, culpa ou raiva, a pessoa enlutada dá um passo decisivo para aceitar sua nova situação.

Apesar de no começo ser difícil, com o tempo, a viúva, ou o viúvo, precisa voltar a ter uma rotina diária. Será que você pode incluir atividades, como fazer compras ou uma caminhada?

Talvez, algum amigo possa pedir que ajuda em alguma tarefa. Essa é outra maneira de tirar a pessoa do isolamento. Por exemplo, ela pode tomar conta das crianças ou mostrar como preparar um prato especial que sabe fazer. Além de serem atividades estimulantes, essas iniciativas mostram à pessoa que a vida dela tem sentido.

A vida ainda é uma dádiva preciosa

Para que a ajuda dada seja eficaz, amigos e familiares precisam ser realistas. Por meses e até anos, a recuperação e o estado de espírito da pessoa viúva pode alternar entre períodos de relativa serenidade e crises de depressão.

É durante os períodos difíceis que a pessoa talvez precise de um pequeno empurrão na direção certa para não perder contato com a realidade nem se entregar ao isolamento. Isso tem ajudado muitas viúvas e viúvos a dar um novo rumo à sua vida. É verdade que a vida nunca é a mesma depois da morte da pessoa amada. Mas aqueles que vão em frente com a sua vida ainda têm muito para dar. A vida ainda é e sempre será uma dádiva preciosa.

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