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Felicidade Ou Sentido De Vida?

Felicidade ou sentido de vida?

O psiquiatra e sobrevivente do Holocausto Viktor Frankl afirmava: “a vida nunca é insuportável pelas circunstâncias, mas sim pela falta de sentido e de propósito”. Para a maior parte das pessoas, sentir-se feliz e ter uma vida repleta de sentido são ambos objetivos importantes e relacionados.

Porém, felicidade e sentido andam sempre juntos? Parece improvável, dado que muitas das coisas que fazemos regularmente não aumentam nossa sensação de felicidade. Uma pesquisa recente sugere que, enquanto a felicidade e o sentido geralmente estão conectados, eles também divergem de formas importantes e surpreendentes.

Roy Baumeister e sua equipe publicaram um estudo no Journal of Positive Psychology que ajuda a explicar algumas das diferenças-chave entre uma vida feliz e uma vida significativa. Eles entrevistaram 400 pessoas durante diversas semanas. As perguntas estavam relacionadas às suas vidas cotidianas, a como se sentiam e o quanto viam suas vidas como significativas naqueles momentos.

O que os pesquisadores encontraram foi que os níveis de felicidade e de sentido não eram idênticos, ou seja, aquilo que nos faz felizes nem sempre nos traz mais sentido e vice-versa. Para compreender as diferenças entre ambos, a equipe fez perguntas detalhadas sobre emoções e sentimentos, sobre relacionamentos e atividades do dia a dia.

O que os entrevistados mostraram: sentir-se feliz está fortemente ligado a momentos de vida prazerosos, fáceis, sem problemas e sem situações conflituosas. A felicidade também está relacionada a ter uma boa saúde e se sentir bem na maior parte do tempo. Mas, nenhum destes itens está ligado ao sentido de vida. Sentir-se bem pode trazer felicidade, no entanto, não necessariamente traz propósito.

Os resultados da pesquisa sugerem que dinheiro, ao contrário do dito popular, traz sim felicidade. Os entrevistados afirmam que, em momentos que tiveram dinheiro para suprir necessidades e desejos, o nível de felicidade aumentou. Porém, o de sentido se manteve o mesmo.

Isso nos remete a outro estudo, realizado por Shigehiro Oishi e Ed Diener, que se debruçaram sobre países ricos e pobres para concluir que, nos países ricos, a sensação de felicidade da população era maior, mas, nos países pobres, a noção de sentido de vida prevalecia.

Mesmo que este estudo não tenha ido além nos porquês disso, Oishi e Diener dizem que esta diferença pode estar ligada à religiosidade dos países pobres e também a como eles têm uma média maior de filhos por família e laços sociais mais fortes. No fim, talvez, o dito popular “dinheiro não traz felicidade” deva ser substituído por “dinheiro não traz sentido”.

De qualquer forma, o importante é que felicidade e sentido se encontram quando falamos de relacionamentos. No estudo de Baumeister, sentir-se mais conectado aos outros aumenta ambos os níveis. Relações fortes nos fazem felizes E trazem propósito.

A surpresa surge em outra conclusão da pesquisa. Os participantes precisavam se definir em suas relações: você considera que doa mais ou recebe mais de seu parceiro? Aqueles que afirmaram ser mais “doadores”, diziam-se menos felizes do que os “recebedores”. Ao mesmo tempo, os “doadores” tiveram níveis de sentido maiores do que os “recebedores”.

Outra surpresa: passar tempo com os amigos aumenta os níveis de felicidade, mas não de sentido. Já passar tempo com o parceiro, com os filhos, aumenta os níveis de sentido, mas não de felicidade. Os pesquisadores concluem que relações mais profundas tendem a ser mais difíceis, mas mais satisfatórias. Por isso, a sensação de felicidade, geralmente ligada à leveza e à alegria, não se altera, mas o sentido, ligado à satisfação pessoal em graus mais densos, aumenta.

E você? Você se identificou com as descobertas do estudo? O que é mais importante em sua vida, felicidade ou sentido? Os dois? Como fazer para aproximar felicidade e sentido nas áreas em que eles aparecem como elementos distantes? Conte para nós. Dê sua opinião e compartilhe sua experiência de vida.

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