skip to Main Content
Distúrbios Alimentares: Doenças Pouco Debatidas Que Crescem Ano Após Ano

Distúrbios alimentares: doenças pouco debatidas que crescem ano após ano Distúrbios alimentares cresceram mais de 100% nos últimos anos. Eles se manifestam na adolescência, mas começam na infância. Saiba como detectá-los e o que fazer.

Hábitos alimentares são considerados doentios quando começa a haver prejuízos na saúde física e mental, interferindo também nas relações pessoais e profissionais. De acordo com estimativas do NIMH (Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos), 70 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum transtorno deste tipo.

O alicerce dos hábitos alimentares é formado durante os primeiros anos de vida. Época ideal para que os pais forneçam informações sobre nutrição e promover atitudes positivas em relação aos alimentos. Os distúrbios alimentares geralmente desenvolvem-se durante a adolescência ou início da idade adulta. No entanto, eles podem começar na infância.

Aos 8 anos de idade, as crianças já começam a demonstrar insatisfação com o formato do próprio corpo. Esse descontentamento pode levar ao desenvolvimento de distúrbios alimentares na adolescência.

Um grande estudo publicado no periódico científico British Journal of Psychiatry acompanhou 6.000 crianças até os 14 anos de idade. Os resultados mostraram que, aos 8 anos, 5% das meninas e 3% dos meninos estavam insatisfeitos com a aparência de seu corpo.

Já aos 14 anos, esse número subiu para 32% nas meninas e 16% nos meninos. Nessa mesma idade, 38,8% das meninas e 12,2% dos meninos tinham comportamentos relacionados a distúrbios alimentares, como fazer dietas exageradas, tomar laxantes ou comer compulsivamente.

Os pesquisadores alertam para a importância de pais e educadores abordarem questões como peso e autoestima ainda na infância, sempre adequando a mensagem à idade das crianças. Pois, se a mensagem for passada de forma errada, o efeito pode ser contrário e algumas crianças podem se tornar excessivamente magras.

Segundo a Academia Americana de Pediatria, as internações de menores de 12 anos com distúrbios alimentares cresceram 119% nos Estados Unidos, entre 1999 e 2006. Mesmo que no Brasil não haja estudos tão sólidos, a situação é similar.

Na unidade de endocrinologia pediátrica do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, aumentou a frequência de pacientes obesos que passam a ter bulimia. “Devemos refletir se, no combate à obesidade, as mensagens não se tornaram fortes demais”, diz Durval Damiani, chefe da unidade.

É importante que um paciente com transtorno alimentar tenha reestruturação, reorganização e desenvolvimento da personalidade, para não deixar que a baixa autoestima e a distorção da imagem corporal se tornem novamente gatilhos para o desenvolvimento ou agravamento da doença. Para isso, um tratamento multidisciplinar é necessário, englobando diferentes profissionais da saúde, como psiquiatras, psicólogos, nutricionistas e endócrinos.

Bulimia e anorexia são doenças desencadeadas pela combinação de vários fatores como personalidade, relações familiares, interação social e os meios de comunicação. Mas os transtornos alimentares são muito mais prováveis em algumas pessoas do que em outras. O histórico familiar é um grande fator de risco. E há evidências cada vez mais fortes de que a genética tem um papel crucial.

Um distúrbio alimentar pode trazer graves consequências para o desenvolvimento de uma criança. A falta de uma alimentação correta acarreta prejuízos cognitivos até distúrbios de crescimento, por isso, a detecção precoce é importante. Mais importante ainda é a prevenção, desde a infância. Caso haja casos de distúrbios alimentares em sua família, observe com carinho o comportamento de seu filho. Veja abaixo cinco dicas para lidar com a questão de forma saudável e amorosa:

1. Rotina alimentar sólida e saudável

É preciso ensinar desde cedo a importância de hábitos saudáveis às crianças. Isso inclui horários regulares para comer, fazer refeições moderadas quatro ou cinco vezes ao dia, evitar pular as refeições e não comer “besteiras” nos intervalos entre elas. É recomendável que os pais sejam capazes de controlar ao menos duas refeições diárias de seus filhos.

2. Dieta variada

A dieta das crianças deve ser saudável, equilibrada e variada ─ com limitações ao consumo de doces, sobremesas industrializadas e fast-food. É fundamental que o cardápio inclua diversas frutas e verduras.

3. Cuidado com a mente, cuidado com o corpo

Os transtornos alimentares são problemas de origem psicológica, então é essencial que a autoestima das crianças seja observada com atenção dentro de casa. Por isso, os pais devem fomentar a autoestima dos filhos para que ele descubra suas habilidades e suas limitações, aceite-as e aprenda a se sentir bem consigo mesmo. É importante ajudar os jovens a não condicionar seu corpo a uma questão de aparência.

4. Observe, dialogue, esteja aberto

Estabelecer uma boa comunicação no âmbito familiar é vital em incontáveis áreas e, nesta questão, não poderia ser diferente. Um lar em que a comunicação seja aberta e compreensiva é a chave para que as crianças se sintam seguras e sejam capazes de buscar a opinião e a ajuda da própria família quando estiverem diante de situações difíceis ou estressantes.

5. Saúde integral

Cultive hábitos saudáveis também em outras esferas, como a prática de atividades físicas e um número suficiente de horas de sono. Tudo isso ajuda a levar uma vida mais equilibrada. Pratique você também, seja exemplo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *