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Culpa Materna E O Poder Do Perdão

Culpa materna e o poder do perdão

Definir o que é uma boa mãe pode ser a tarefa mais difícil de todas. Podemos arriscar dizendo que uma boa mãe é uma mãe que sabe lidar com as culpas. Mesmo que as intenções sejam belas, querer ser uma mãe melhor, sentir culpa por quem somos é um pensamento cruel. Ainda assim, a culpa é uma constante nas mães e aprender a lidar com ela faz parte da maternidade.

Por isso, trazemos a mensagem de uma mãe com uma lição magnífica sobre o tema. Ela escreve uma carta contando sua história de superação após o nascimento de seu filho prematuro, uma carta para todas as maravilhosas mamães, sempre em busca de evolução, de melhoria pessoal e de perdão e compaixão com elas mesmas. Leia abaixo:

Para aqueles que convivem comigo nesta viagem da maternidade, minhas palavras podem parecer uma surpresa. Geralmente, sou uma pessoa feliz, que celebra abertamente as bênçãos que vieram com a chegada do meu bebê, que nasceu com 25 semanas.

Mas, para ser honesta, foi a experiência mais traumática da minha vida e teve consequências duradouras e profundas. Minha família e meus amigos viviam rezando e torcendo por nós durante o período em que meu filho ficou na unidade de tratamento intensivo. Meu pequeno menino tinha que passar por tantas coisas tão cedo. E era tudo minha culpa.

Como todas as mães, eu queria que os primeiros anos da vida do meu filho fossem lindos e divertidos. Fiquei devastada quando vi que essa não seria nossa realidade. Como a pessoa encarregada de carregá-lo em meu ventre por 40 semanas, eu só sentia que precisava me desculpar com ele.

Então, eu simultaneamente agradecia a Deus por ele estar cruzando tantas questões hospitalares, doenças e desafios e me culpava por tudo aquilo estar acontecendo. Era muito difícil viver na incerteza. Os médicos que consultei disseram que eu estava passando por um estresse pós-traumático. Eu dizia que era um sentimento de inadequação, peso e desesperança. É um sentimento que muitos pais com filhos que passam por desafios assim sentem.

Até que eles chegam ao perdão.

Quando saímos do hospital, eu estava confiante por este milagre, então me recusei a acreditar que isso fosse durar por mais tempo. Mas, conforme os dias passavam, os problemas subsequentes ao nascimento prematuro começaram. E a culpa voltou ainda maior. Se eu tivesse mantido meu bebê na barriga por mais tempo, as terapias, médicos e tratamentos não seriam necessários. Estes eram meus pensamentos diários. Ver meu filho tentando se sentar com tanto esforço, quando os outros bebês da mesma idade já o faziam com facilidade, partia meu coração.

Eu fui avisada de que isso aconteceria, que tudo era parte de ser uma mãe de um bebê prematuro. Eu também via que ele estava melhorando muito com as terapias. Toda essa racionalidade, porém, não ajudava na diminuição da minha culpa. Comecei a me sentir desencorajada e lutava para encontrar um lugar dentro de mim para guardar tanto peso.

Eu fui tentando, contando cada vitória do meu pequeno, encontrando novas abordagens. Cada novidade no desenvolvimento do meu filho removia uma pedra de cima de mim. Mas logo, outro desafio se apresentava ao desenvolvimento dele e eu tombava novamente. Estas constantes construções e destruições eram minha vida emocional.

Então, um dia, meu filho me deu o presente da vida. Estávamos na sala de estar e ele brincava sentadinho no chão. Ele estava feliz. Crescendo. Lutando. Perfeito. Não, ele não estava fazendo o que bebês de um ano faziam, mas ele não parecia se importar nem um pouco.

Ele estava aprendendo mais e mais a cada dia. De alguma forma, finalmente havíamos chegado a esta belo lugar, onde meu filho era como uma criança normal. Ele estava evoluindo, era eu que estava presa à ideia da prematuridade.

Meu filho estava superando seus desafios e eu não. Na inocência daquela brincadeira no chão da sala, eu vi que ele me dizia: “mamãe, eu estou bem. Supere isso.” E eu permiti ao meu coração ouvir sua mensagem.

Naquele momento, senti a maior gratidão que já havia sentido na vida. Minha culpa começou a parecer sem sentido. Eu finalmente havia chegado no lugar do perdão e meu filho havia me levado até lá.

Foi como se meu filho tivesse nascido naquele momento. Um momento de pura alegria e amor.

Com esta experiência, aprendi que quando as coisas saem fora do planejado, a vulnerabilidade gerada pela frustração pode nos levar a lugares obscuros e negativos. Mas, precisamos seguir em frente mesmo assim. São apenas desvios em nosso caminho. E meu pequeno filho já tinha aprendido isso.

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