skip to Main Content
Crianças Ansiosas E Eventos Traumáticos: Ajude Seu Filho A Recuperar A Segurança

Crianças ansiosas e eventos traumáticos: ajude seu filho a recuperar a segurança Tragédias, acidentes, notícias de assaltos e mortes. Com tantas telas e informações, aprender a conversar e confortar seu filho é crucial.

O mundo atual dá muito acesso à informação. Às vezes, demais. Principalmente, quando se trata de crianças. Mais ainda, se elas sofrem de ansiedade. Se nós, adultos, já ficamos com medo da violência a partir do que vemos nos jornais, imagine como os pequenos se sentem.

“E se eu morrer?” “E se eu ficar doente?” “E se nosso carro bater?” Reduzir os pensamentos “E se?” sem ignorá-los é muito importante para destravar a cabecinha dos pequenos. Respondê-los lhes dá segurança e conforto novamente. Ao mesmo tempo, não expô-los a notícias ruins constantemente faz bem: não apenas para nossos filhos, mas para nós também.

Aqui no Doloresbordignon.com.br, trazemos algumas dicas gerais de Natasha Daniels, terapeuta especializada em crianças, sobre como agir quando coisas ruins acontecem, seja em nossa família ou no mundo em geral. Natasha é autora da obra How to parent your anxious child (Como educar seu filho pequeno com ansiedade, em livre tradução). Para quem fala inglês, Daniels tem um ótimo site sobre o tema, dando dicas objetivas ligadas a diversas situações para pais com filhos que sofrem de ansiedade. Confira abaixo o que ela nos ensina sobre o tema:

Como mãe de crianças ansiosas e terapeuta, eu aconselho:

1 – Descubra o que eles já sabem a respeito dos eventos

Dependendo da idade de seu filho, eles podem estar cientes ou não sobre os eventos ao redor deles. Se eles são muito pequenos, eles provavelmente não estarão expostos às notícias. Eu não recomendaria discutir desastres e situações traumáticas a menos que eles já estejam sabendo delas. É bom lembrar que crianças pequenas ainda não têm os mecanismos para digerir notícias ruins, como tragédias em escala massiva.

Caso seus filhos sejam mais velhos, eles possivelmente já estarão sabendo das notícias. Caso você tenha filhos com ansiedade, recomendo que não assista às notícias com eles. Crianças ansiosas têm memórias detalhadas – especialmente para imagens. Eles têm mais dificuldade em apagar tais imagens de suas mentes e isso pode durar meses ou até anos. Não alimente o cérebro de seu filho com imagens negativas sempre que puder escolher.
Assim, converse com ele e perceba o que ele já sabe sobre a situação. Forneça apenas informações suficientes para que ele compreenda o que ocorreu. Pergunte a ele se há mais dúvidas sobre o tema, são as questões dele que devem guiar a conversa – e crianças têm uma capacidade de questionamento bem grande. Abrace e responda o necessário. Se as pessoas que causaram a tragédia já foram pegas, se a situação já normalizou, avise seu filho imediatamente.

E não esqueça: tome cuidado com o volume de suas conversas em casa com outros adultos. Muitas vezes, os pequenos ouvem pedaços de conversas e concluem coisas ruins para eles.

2 – Mantenha a perspectiva

Crianças ansiosas têm a capacidade de transformar pequenos eventos em grandes tragédias. Um tema de casa esquecido pode se tornar uma ameaça à faculdade daqui 10 anos! Ao perceber algo de ruim, seu filho pode pular para uma sensação de desamparo futuro. Isso é debilitador. Para colocar uma situação ruim em perspectiva, faça o seguinte:

– se os eventos não aconteceram perto de você, mostre onde ocorreu em um mapa. Distanciar os eventos deles ajuda a recuperar a segurança sobre seu próprio universo.
– fale sobre as chances de uma tragédia global ocorrer em sua comunidade. Não minta sobre os riscos do mundo, mas lembre-se que sua criança já potencializa os riscos ao máximo – é por isso que seu papel é reduzi-los, para que juntos encontrem um equilíbrio. Aponte exemplos objetivos, como a chance de ganhar na loteria e compare-o às notícias. Seu filho verá que a chance disso ou daquilo ocorrer com ele é muito menor do que parecia.

3 – Sempre mostre o lado bom da humanidade

Mais um ponto que é importante para todos nós, não apenas para nossos filhos. É tão fácil sermos consumidos pelas coisas ruins, pela raiva, pela violência ao redor que o sentimento de medo e de falta de esperança já é algo quase que comum. Para crianças ansiosas, que já estão preocupadas e com medo de pessoas más, este medo pode ser paralisante.

Durante tragédias, foque nos pequenos atos de gentileza das pessoas ao redor. Se for um desastre natural, mostre como os vizinhos se uniram ou como tantos desconhecidos doaram roupas, dinheiro e mantimentos, por exemplo. Conte histórias felizes sobre estas pessoas que ajudaram. Mostre fotos das pessoas se unindo para reconstruir suas vidas.

4 – Canalize as emoções negativas de seu filho para boas ações

Nem mesmo a ansiedade é de todo ruim. Crianças ansiosas possuem corações gigantescos. Eles sentem a dor dos outros de forma mais intensa e profunda. Canalize as emoções de seu filho para que ele produza algo de bom a partir de uma situação ruim. Colocá-los para agir em momentos de crise os empodera, eles começam a compreender que podem transformar as coisas ao redor deles e a sensação de desespero frente ao imprevisto se reduzirá. Faça trabalhos voluntários com eles, produza desenhos ou histórias e poste nas mídias sociais, engaje-os nas campanhas para ajudar quem precisa.

Sempre observe seu pequeno.
Sempre converse com ele.
Se você perceber que, mesmo com tantas ferramentas, a ansiedade não reduziu, busque ajuda profissional. Se você não sabe se é a hora de buscar um especialista, listamos alguns comportamentos que podem indicar que agora é a hora:

– pesadelos frequentes
– medo de sair em público ou de ir à escola
– aumento de dores psicossomáticas (dores de cabeça, de estômago, etc)
– medo de dormir sozinho
– medo de se separar de você
– preocupação excessiva ou pensamento constantemente ligado a tragédias
– questões frequentes sobre segurança

Mesmo que seu filho não sofra de ansiedade, é bom lembrar que parte do papel de mãe e de pai é ensinar que, da dor pode vir o crescimento, que a escuridão não extinguirá a luz. Resiliência e capacidade de contornar crises é um ensinamento precioso no mundo atual.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *