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Ajude Sua Mente A Ajudar Você

Ajude sua mente a ajudar você

Quando você engravidou, começou a notar muitas grávidas na rua? Quando você comprou um carro, parecia que todos tinham comprado o mesmo modelo? Isso acontece porque nossa memória é seletiva, ela foca naquilo que é importante para nós. E se lhe disséssemos que isso também ocorre com a frequência do pensamento? Se você pensar de forma positiva, enxergará aspectos positivos e atrairá pessoas e situações positivas. Se pensar de forma negativa… Bem, já sabemos.

Veja o que dois psicólogos têm a dizer sobre a força da esperança, da resiliência e da crença em si mesmo. Apaixonados por esta forma de ver a vida, os psicólogos Maria do Carmo Oliveira e Manuel de Oliveira decidiram colocar em prática os fundamentos desta disciplina. Há quase 20 anos, juntaram-se para criar o Clube do Otimismo, que ajuda as pessoas a descobrirem o que de melhor existe em cada um de nós. Em entrevista, explicam como criar a sorte e colocá-la a seu favor.

Como é possível manter o otimismo em tempo de crise e de austeridade?
Não é fácil, mas é possível, se formos determinados, como também é possível mudarmos de um estado pessimista para uma atitude otimista. Normalmente, isso só acontece quando acumulamos uma quantidade de dor suficiente que nos impele para a mudança. A psicologia positiva tem vários instrumentos para fazer esse salto. Um exercício muito simples e eficaz consiste em exprimir a gratidão pelas coisas boas que temos na vida, todos os dias.

É muito importante que as pessoas tomem atenção ao seu discurso, interno e externo, aquilo que dizem a si mesmas e aos outros. Estamos numa fase de muitas queixas. Frases como “Que horror”, “Não sou capaz” ou “Isto vai de mal a pior” têm uma carga profundamente negativa. A nossa fisiologia muda instantaneamente. Deixamos cair a nossa postura, ficamos sem energia, nem motivação.

Como podemos eliminar esse tipo de expressões do nosso discurso?
Não se trata de negarmos o que está mal, mas de manter uma atitude esperançosa, que nos faça avançar e encontrar soluções. Se eu disser “Vou conseguir!” ou “Vai ser espetacular!”, o meu corpo reage e ativa todas as hormônios que são favoráveis à minha ação. Mesmo que inicialmente não acredite.

De que forma os nossos pensamentos influenciam o curso dos acontecimentos?
A nossa memória é seletiva. Por exemplo, se estou grávida, vou reparar muito mais nas grávidas que passam por mim na rua. Se estivermos constantemente pensando no que é negativo, é como se estivéssemos informando nossa mente que isso é que é importante para nós, como tal, a nossa memória vai focar nos problemas como se eles estivessem nos procurando. Na verdade, nós é que estamos a procurá-los. Quando dizemos “Já sei que hoje o dia vai ser difícil”, o nosso cérebro se encarrega de confirmar a nossa expectativa e o dia efetivamente corre mal.

Até o dia em que decidimos mudar e passamos a observar a beleza, as coisas positivas, o que existe de bom na vida e pelo que somos gratos e então, em vez da ansiedade, instala-se a serenidade. Se eu acreditar que há saídas para os meus problemas, eu vou encontrá-las.

Que estratégias deve adotar alguém que acabou de perder o emprego?
Deve encarar o desemprego não como um problema, mas como um desafio. Só o fato de utilizarmos esta palavra já nos predispõe para a ação. Depois, em vez de focar nos aspectos negativos, pense nas suas competências e nas qualidades e como é que poderá fazer a diferença em relação aos outros candidatos.

Os otimistas têm mais sucesso nas entrevistas de emprego?
Se vamos para uma entrevista com uma atitude negativa, fechada, já à espera de não sermos selecionados, a pessoa que está a recrutar sente isso perfeitamente. Mais do que nunca as empresas precisam de equipes motivadas, entusiastas, otimistas e é isso que vão procurar nos colaboradores.

O que diria a alguém que utiliza o pessimismo como estratégia para não se desiludir?
Muitas pessoas recorrem ao pessimismo defensivo. É verdade que não nos desiludimos se estivermos à espera do pior, o problema é que também não vamos dar o nosso melhor. Quem é que vai investir em algo se acredita que não vai resultar? A atitude pessimista bloqueia as nossas competências. Não somos suficientemente enérgicos, nem desencadeamos todas as ações positivas que nos podem levar ao sucesso.

Qual a fronteira entre o otimismo e o irrealismo?
Quando nos referimos ao otimismo estamos a falar de um otimismo realista, proativo, em que a pessoa continua a desencadear ações e a escolher as estratégias que poderão levá-la aos seus objetivos. O otimismo irrealista, muitas vezes, é um otimismo de fuga. É apenas um pensamento positivo oco. Pensa-se algo como “Eu sei que me vai correr tudo bem portanto não preciso de agir”. A pessoa poderá sentir-se feliz, mas os resultados não serão os melhores.

Porque assumimos com frequência o papel do coitadinho?
O papel de vítima nos é incutido na infância. A criança brinca e está tudo excelente, mas, se ela cai e começa a chorar, interrompemos o que estamos fazendo para lhe dar atenção. Mais tarde, a criança adoece e desculpamos todas as birras porque, coitadinha, está doente. Aos poucos, ela aprende a colher a atenção pelo lado negativo. E como todos nós gostamos de ter atenção, mesmo na idade adulta, prolongamos esta estratégia.

 

O que diria a alguém que diz não ter sorte na vida?
A sorte se constrói com persistência, determinação e autoconfiança. Não adianta olhar para trás, para o que correu mal e que não podemos mudar. O que interessa é o que podemos fazer hoje para no futuro alcançarmos o que pretendemos.

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