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Adolescência E Comportamentos De Risco: Como Conversar E Orientar Meu Filho

Adolescência e comportamentos de risco: como conversar e orientar meu filho Entender a mente do adolescente é o primeiro passo para criar um ambiente saudável e eficaz de diálogo e orientação

Não é uma informação nova que adolescentes adoram comportamentos de risco. Adolescentes têm uma reputação de serem rebeldes. E, como todo estereótipo, há certa verdade nesta imagem. As mudanças psicológicas e fisiológicas no corpo e no cérebro contribuem muito para isso.

A adolescência é a fase da vida em que as pessoas mais assumem comportamentos de risco – mais do que na infância ou na maturidade. Álcool e nicotina passam a ser experimentados nesta idade, assim como outras questões, como sexo sem proteção ou direção perigosa.

Adolescentes não fazem estas coisas por serem estúpidos; na realidade, pesquisas sugerem que, ali pelos 16 anos, os adolescentes são tão bons quanto os adultos em avaliar riscos e consequências. Então, não é que eles sejam mais irracionais, mas sim que seus comportamentos podem ser mais originados pelo que eles sentem do que pelo que eles pensam.

Recentes estudos sugerem que todos temos dois específicos sistemas no cérebro que são responsáveis pelos comportamentos arriscados dos adolescentes. Um destes sistemas é o que antecipa recompensas. Este sistema começa a amadurecer por volta da puberdade, fazendo com que a sensação de recompensa seja algo muito forte na adolescência – e isso pode explicar a busca constante por fortes sensações nesta fase da vida.

O outro sistema é conhecido como responsável pelo autocontrole e, infelizmente para muitos pais, este sistema não amadurece até muito mais tarde. Entender como estes dois sistemas funcionam pode ser a chave para compreender o problema com o comportamento adolescente: quando você coloca os dois sistemas lado a lado, você tem um adolescente totalmente capaz de antecipar como assumir riscos pode ser recompensador, mas que ainda não é plenamente capaz de controlar seus impulsos. Para agravar a situação, o sistema de recompensas se torna mais ativo na presença de amigos.

Em outras palavras, adolescentes estão mais propensos a assumir comportamentos de risco quando estão perto de pessoas que sentem que precisam impressionar do que quando estão sozinhos.

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A notícia ruim é que esta falta de sincronia no amadurecimento dos sistemas é normal, e isso significa que o drama, os impulsos, a fixação por amigos é normal também. A boa notícia é que o sistema responsável pelo autocontrole alcançará sua maturidade por volta dos 20 anos.

Conversar com os adolescentes sobre os perigos das drogas, do sexo desprotegido etc podem ser importantes, mas lembre-se que eles já têm conhecimento pleno destes riscos – o que eles não têm é autocontrole parar evitar estes comportamentos. Por isso, falar com eles sobre evitar situações em que eles se sintam tentados a assumir comportamentos de risco pode ser mais eficaz do que a boa e velha conversa sobre os perigos das coisas.

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ENCORAJANDO ADOLESCENTES A ASSUMIREM COMPORTAMENTOS SEGUROS

Adolescentes precisam assumir riscos para aprenderem mais sobre si mesmos e testarem suas habilidades. Se seu filho sente muita vontade de procurar emoções fortes, tente canalizar esta energia para coisas seguras e construtivas, como esportes radicais, artes marciais ou teatro e outras atividades artísticas.

Outra estratégia é dar autonomia e independência em algumas áreas, para que eles possam sentir novas emoções, explorar sem precisarem se rebelar.

Uma coisa importante é que os pais reflitam sobre o que de fato é arriscado. Muitos pais se prendem às roupas estranhas que os filhos usam ou à cor do cabelo, mas isso não é algo perigoso. Permita que seu filho experimente onde é seguro. Isso abrirá uma janela para autodescoberta e para experimentação de novas sensações sem colocar a vida em risco.

Por último, lembre-se que o entendimento de seu filho sobre o que é perigoso é diferente do seu. Exponha os riscos que você enxerga sem apelar para o monólogo e o direcione para atitudes que possam ajudá-lo caso algo de errado ocorra. Reflitam juntos sobre diferentes situações que podem acontecer e proponha caminhos seguros para seu filho. E sempre, sempre, deixe claro que ele pode contar com você caso as coisas saiam de controle.

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Dolores Bordignon tem mais de duas décadas de experiência clínica, somando centenas de casos individuais, de famílias e casais que desejam construir novos paradigmas. Suas palestras e workshops trazem à luz a importância da inteligência emocional para as relações pessoais, profissionais e familiares. Conheça o trabalho da psicopedagoga em nosso site. Entre em contato com Dolores Bordignon para promover um evento em sua instituição.

Séries temáticas Suicídio da Adolescência
This Post Has One Comment
  1. Olá! Gostei do artigo.
    Tenho um filho de 16 anos muito criativo, adora fazer ou bolar coisas. Mas ele não consegui considerar os riscos do ambiente ou do que esteja manipulando e isso me preocupa bastante! Preciso descobrir como orienta lo de forma que não bloqueie a criatividade dele e ensina lo a avaliar os riscos envolvidos mas me sinto muito perdida em grande parte das vezes!

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